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9.1.12

Arthur Conan Doyle na segunda reviravolta do caixão!

 

Seguindo a fórmula de sucesso de 2009, Guy Ritchie volta a centrar-se na remodelação do clássico de literatura, Sherlock Holmes, da autoria de Sir Arthur Conan Doyle. Provando aqui uma vez mais a tendência de sofisticação face às historias que marcaram e muito, imensas gerações e que se converteram em marcos da literatura e até mesmo partes integres da cultura popular. Poderemos chamar-lhe de reboots ou até mesmo descaramento comercial em prol da falta de originalidade cinematográfica, porém, Sherlock Holmes, de Ritchie consistiu num espectáculo estilístico em que o autor britânico converte a personagem snob e genial num desastrado e ordinário ser, mas com uma capacidade intelectual divina.

 

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A juntar às suas intrigas, temos acção e acção com fartura, ao invés do clássico “elementar, meu caro Watson” que reverte no suspense e a calma narrativa em decifrar tais mistérios. Um pouco à semelhança daquilo que foi feito com James Bond, 007, em Casino Royale de Martin Campbell, Sherlock Holmes vive assim prosperidade comercial e uma aproximação impiedosa para com as novas gerações. Nesta segunda estância, a personagem mestre interpretado por Robert Downey Jr. enfrenta aquele que deveremos considerar o seu nemesis, o igualmente brilhante professor Moriaty, o cabecilha de uma conspiração a nível global sem precedentes.

 

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Com uma premissa quase apocalíptica, Sherlock Holmes: A Game of Shadows sofre do mesmo sindroma que muitas sequelas que por aí andam; é seguro de si, pretensioso, sério e “bigger than life”. Assim sendo, a fita de Guy Ritchie perde a frescura e a inovação do anterior de 2009 e torna-se numa epopeia estilística e dotada de energia, que apesar de iludir, esgota-se facilmente. As deduções e o enigmas envoltos do universo da personagem de Arthur Conan Doyle são substituídos por um embrião de James Bond, onde os punhos fazem a diferença no próprio jogo intelectual. O realizador transporta assim a sua marca estilística e usa e abusa do seu gene, até tudo se converter num rebuscado exagero como se faz sentir nas intermináveis sequências slow motion, por outro lado o exagero dramático é o seu calcanhar de Aquiles. Robert Downey Jr. atribui ao seu Sherlock Holmes um ponto de interesse, ele é desequilibrado mas engenhoso, a sua química com Jude Law na pele do sidekick Watson fortaleceu e o vilão (interpretado por Jared Harris), compõe um "marcado a fogo" yin yan em relação ao nosso ocasionalmente heróico detective provado.

 

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Como novas aquisições temos ainda Stephen Fry como o boémio irmão de Holmes (Mycroft) e Noomi Rapace, a célebre Lisbeth Salander da trilogia sueca, Millennium, que encena como uma "peça chave" para a premissa, como também funciona como confirmação de que a actriz que brilhou nos thrillers de Stieg Larsson revela-se capacitada de adaptar à indústria de Hollywood. Esperemos o que o futuro ditará. Se bem verdade que em termos interpretativos, Sherlock Holmes: A Game of Shadows não há dedo que se aponta, a nível técnico a fita de Guy Ritchie adquire o gosto de festim, não só pelas habituais manhas do autor no campo visual como também a elogiada banda sonora composta por Hans Zimmer, que transmite alguma classe para a narrativa, mas que esmorece o paladar musical e a sintética relação por parte desta, atribuída pelo realizador.

 

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De certa ordem, a dominância do estúdio perante a alma autoral que poderia ser depositada aqui, torna esta uma sequela inferior, demasiado pretensiosa e isente de qualquer personalidade para além de um pressuposto "wanna be" plastificado, a mimetização de tiques estilísticos requisitados sem qualquer noção orgânico. Felizmente, o elenco dá um "empurrão" na qualidade desta produção, que por sua vez é envolvida por atributos indesejáveis. Todavia há que confessar que esta "experiência" almofadada iniciada em 2009 recolocar Sherlock Holmes  mais próximo de um 007 do século XIX do que propriamente o detective privado mais célebre de que há memória.

 

"You see, hidden within the unconscious, there is an insatiable desire for conflict. So, you're not fighting me, so much as you are the human condition. All I want to do is own the bullets and the bandages."

 

Real.: Guy Ritchie / Int.: Robert Downey Jr., Jude Law, Noomi Rapace, Jared Harris, Stephen Fry, Kelly Reilly, Rachel McAdams

 

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Sherlock Holmes (2009)

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publicado por Hugo Gomes às 21:20
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