“Ó tempo volta para trás!”
Realizadores como J.J. Abrams e até mesmo Steven Spielberg revelaram que já em tempos de infância faziam os seus próprios filmes caseiros, muito graças ao uso da imaginação, boa vontade e uma câmara Super 8. O badalado cineasta do reboot de Star Trek e das séries Lost e Fringe faz uso das suas memórias e homenageia não só o seu passado, mas muitas das obras que o influenciaram, Spielberg surge então como produtor, e não por razões aleatórias.
Super 8 relata as aventuras de um grupo de crianças de uma pequena cidade que tentam realizar um filme de zombies, mas que acidentalmente se tornam testemunhas de um descarrilamento de um comboio que transportava uma carga misteriosa. Depois do acontecimento, ocorrências estranhas e algumas mortais decorrem misteriosamente na cidade. As autoridades tentam apurar o ocorrido mas sem êxito e o exercito americano surge automaticamente em cena. Apesar de muitas teorias envolto naquele acidente ferroviário, só o grupo de jovens conhece realmente a verdade daquela fatiga noite, mesmo que custe acreditar.
Abrams invoca o cinema dos anos 80, principalmente ao referenciar fitas como ET e os Goonies, no grupo de crianças que ele próprio dirige, o autor reencontra o seu passado, as suas memórias e as suas influências. Super 8 é assim uma espécie de cápsula do tempo, numa época em que o cinema fantástico aspirava a inocência e a aventura era mais do que simples marketing industrial, mas fora as boas intenções e da solidez da história, a nova fita de Abrams é um “wanne be” que sonha alto. A homenagem está servida, as referencias expostas, mas os tempos mudaram drasticamente e apesar de tudo, J.J. Abrams é um homem actual que não consegue despertar nele algo que não existe, marca nostálgica cinematográfica, é por estas e por outras que encontramos em Super 8 um blockbuster competente servido de grandes desempenhos, principalmente do elenco jovem (Elle Fanning em grande destaque), detalhes primorosos e um ambiente alienígena há muito não visto desde Close Encounters of the Third Kind (Steven Spielberg, 1977), nesse aspecto é um dos melhores entretenimentos deste ano, mas mesmo despertando certa nostalgia, não o invoca na sua totalidade.
Nesse caso, The Hole de Joe Dante e até mesmo o visualmente sofisticado The Adventures of Tintin de Steven Spielberg o conseguem fazer com mais precisão, porque a diferença destes autores para J.J. Abrams é que os primeiros viveram intensamente os anos 80, o segundo apenas limita a seguir as suas pisadas. Sem mal entendidos, Super 8 é um divertimento á altura, mas não é a “espreitadela” do baú que pretendíamos.
Real.: J.J. Abrams / Int.: Joel Courtney, Elle Fanning, Bruce Greenwood, Greg Gunberg
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