Data
Título
Take
6.11.11

No clube dos artistas!


Ao ver Midnight in Paris, o mais recente e merecido êxito de Woody Allen, dei comigo a pensar na própria mensagem que o filme transmite, em que a nostalgia é uma forma de negação a quem recusa a importar com o presente. Esses termos estão descritos nos desejos de variadas personagens, principalmente a do protagonista, em cobiçar continuadamente a reviver as “eras de ouro” da linha temporal. O meu pensamento se motivou em relação ao próprio cinema que assistimos actualmente e a mentalidade de muitos face ao mesmo, com isto saliento que é sempre agradável assistir às recentes fitas de Sylvester Stallone (The Expendables), J.J. Abrams (Super 8) e a estrear no nosso país em breve, Michel Hazanavicius (The Artist, uma homenagem ao cinema mudo que se praticava nos primórdios tempos da cinematografia), mas por mais que gostamos desses ambientes nostálgicos e por vezes retrógrados, o cinema de hoje é de momento aquele que importa investir, nas novas artes e sim, nos novos artesões. Não digo com isto que o passado deve permanecer morto e enterrado, não, o passado é o passado e não há volta de reproduzi-lo.

 

 

Mesmo sob esta mensagem, Woody Allen não evoluiu nem modificou a sua forma de fazer filmes ou de olhar para o cinema como a arte de contar histórias, Midnight in Paris é tipicamente uma obra “woodileana”, porém é a sua honesta homenagem à arte em si e aos homens que dedicaram as suas vidas para permanecer vivo esse lado criativo do ser humano. Midnight in Paris nos remete aos devaneios de um homem inseguro e incompleto, Gill (Owen Wildon), prestes a casar com a belíssima Inez (Rachel McAdams) e sem inspiração para terminar o seu romance, o qual deposita toda a esperança de um futuro, ocupa as noites sozinho a vaguear pelas ruas de Paris. Estes passeios pedestres se revelam viagens aos anos 20, conhecendo e convivendo com personalidades artistas distintas como Pablo Picasso, Luis Buñuel e Ernest Hemingway (Corey Stoll).

 

 

Woody Allen, depois das suas jornadas por Londres e Barcelona, descreve Paris como o epicentro artístico da Europa, e de como os norte-americanos invejam tal facto, esta último sentimento encontra-se detalhado na sequência em que a mãe de Inez, desempenhada por Mimi Kennedy, tenta persuadi-la de comprar uma cadeira estilística de forma a impressionar as visitas, como a Europa fosse o Novo Mundo para os EUA. Contudo, fora todo o material de homenagem aos grandes artistas do século XX, Midnight in Paris é de facto dos mais relevantes obras da longa filmografia de Allen, deixando que os trabalhos sejam vistos como rotinas e como os últimos redutos de um dos maiores artistas do cinema.

 

 

Midnight in Paris ainda tem um magnífico elenco a seu dispor: Rachel McAdams, Tom Hiddleston, Marion Cottilard, Kathy Bates, Michael Sheen (irritantemente fabuloso), Adrien Brody (como uma caricatura do artista Salvador Dali) e por fim Owen Wilson, o qual o cineasta consegue depositar na estrela de Shanghai Noon uma imagem jovem de sua pessoa. E reparem que em função com o próprio nervosismo egocêntrico do actor, eis um personagem notável que todos irão simpatizar, por fim mesmo não sendo grande fã de Owen Wilson, afirmo que estamos perante no seu desempenho de carreira. A destacar por fim o cameo de Carla Bruni, a verdade é que a primeira-dama já é um ícone em França, como a guia do Museu.

 

 

Não é por nada que este seja o mais sucedido filme da carreira de Allen, porque de facto Meia-Noite em Paris (titulo traduzido) é um auge na obra do cineasta, é uma homenagem de artista para artistas. Um feito, Woody Allen devolve o misticismo clássico a uma das cidades mais belas de sempre, Paris.


"Nostalgia is denial - denial of the painful present... the name for this denial is golden age thinking - the erroneous notion that a different time period is better than the one ones living in - it's a flaw in the romantic imagination of those people who find it difficult to cope with the present."


Real.: Woody Allen / Int.: Owen Wilson, Rachel McAdams, Tom Hiddleston, Marion Cottilard, Kathy Bates, Michael Sheen, Adrien Brody, Corey Stoll, Mimi Kennedy

 

 

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Whatever Works (2009)

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Scoop (2006)

10/10
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publicado por Hugo Gomes às 22:58
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1 comentário:
De Roberto Simões a 6 de Novembro de 2011 às 23:49
Gostei imenso desta crítica, especialmente da analogia que desenvolveste no primeiro parágrafo. Este MIDNIGHT foi uma surpresa bastante agradável; inesperadamente, tornou-se num dos meus favoritos do realizador.

Roberto Simões
» CINEROAD « (http://cineroad.blogspot.com/)


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