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18.10.11

X-Men Begins!

 

X-Men ainda hoje arrecada um certo estatuto inovador no universo dos comics, conseguindo levar inúmeros problemas sociais como a discriminação para as páginas aos quadradinhos sempre recheados de muita fantasia e acção. Criado em 1963 por Stan Lee Jack Kirby, a banda desenhada inicialmente não foi um sucesso, mas em termos artísticos conseguiu ser mais significativo que muitas das anteriores criações da Marvel Comics. Vivíamos numa época em que o medo comunista consumia quase como fobia os EUA, o racismo estava pouco a pouco ser combatido e a homossexualidade a ser defendida, tudo isto se encontrava de certa forma estampada metaforicamente nas páginas destas BDs, as suas temáticas enriqueciam um universo que conseguiu prevalecer até aos dias de hoje.

 

 

A série ilustrava um mundo em que o homo sapiens sapiens (o ser humano) encontrava-se de certa forma ameaçada, cuja ameaça deparava embutida no seio da sociedade – os mutantes. Clara alusão às diferenças sociais de algumas minorias, os mutantes eram humanos extraordinários, munidos por dons ou super-poderes (conforme quiserem chamar). Alguns deles como Xavier (vulgarmente baptizado por Prof. X), defendiam a sua causa, o direito à existência e integração na sociedade, outros como Erik Magnus Lehnsherr (a.k.a Magnetto) pretendiam a soberania da espécie.

 

 

Após terem sido adaptados inúmeras vezes para a pequena tela como séries animadas, foi no cinema que X-Men rendeu milhões, graças a uma trilogia cinematográfica de Bryan Singer (Brett Ratner que dirigiu o derradeiro terceiro filme foi apenas um “tapa-buracos”) e um spin-off de uma das personagens mais carismáticas deste universo, Wolverine (realizado por Gavin Hood), que também faz uma pequena aparição neste First Class, uma prequela / reboot, conformem o entendido o quiser apelidar, não cronológica, que promete criar uma nova via para a expansão do franchising e das suas personagens.

 

 

O realizador é Matthew Vaughn, o homem que nos revelou Daniel Craig como o 007 da nova geração em Layer Cake (2004) e que nos ofereceu ano passado um dos filme mais divertidos da sua temporada, Kick Ass, que por coincidência é a conversão de uma graphic novel de culto de Mark Millar. Aliás foi graças ao feliz resultado da obra anterior, que fez com que os estúdios da 20th Century Fox apostassem no autor. Ao contrário da obra Mark Millar, em X-Men o risco era maior, porém Vaughn dirigiu-o com tamanho rigor no seu contexto histórico, fazendo com que a aventura fosse fiel ao tempo em que decorre, anexando-o ao projecto os mais variados adereços dos anos 60, como por exemplo a iminência da Guerra Fria. Evidentemente sem isto, X-Men – The First Class resultaria numa banal alusão ao universo dos super-heróis de BD, que se encontram actualmente como obras vulgares e rotineiras.

 

 

Para o fervoroso fã da anterior trilogia e do spin-off, fica o conselho para esquecerem por momentos que tais obras existiram, porque em X-Men – First Class somos levados para uma intriga que desvirtua a própria cronologia da saga. Mas não seja por isso que fita fique condenada, porque realmente o argumento, a narrativa entusiástica e mesmo o elenco são cativantes (principal destaque para o carismático Michael Fassbender).

 

 

A aposta está ganha, Matthew Vaughn foi o homem certo para dirigir um elenco jovem em personagens célebres e veteranas. Tudo se resume a uma fita de super-heróis com identidade própria, que se vinga no meio de tanto amontoado de adaptações de comics, porém dentro do universo X-Men, a fita enfraquece quando é incompetente em relatar a química entre as duas personagens rivais mais relevantes da banda desenhada (Xavier e Erik / James McAvoy e Michael Fassbender), cujas ligações são inexistentes e retalhados devido ao destaque da intriga de conspiração que a narrativa adquire. Contudo mesmo não sendo esplendoroso, altamente refrescante e sólido como um The Dark Knight de Christopher Nolan, First Class continua a ser uma excelente aposta nesta vasta gama de blockbusters de Verão, é o novo fôlego para a saga da Marvel.

 

"Let's just say I'm Frankenstein's monster. And I'm looking for my creator."

 

Real.: Matthew Vaughn / Int.: James McAvoy, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence, Nicholas Hoult, Kevin Bacon, Oliver Platt, Rose Byrne, January Jones

 

 

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Deadpool (2016)

X-Men: Apocalypse (2016)

7/10
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publicado por Hugo Gomes às 22:58
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