O Ghost Rider que se cuide!
Nicolas Cage volta a render-se ao Inferno e á alta velocidade barra adjectivo infernal, não falo de nenhum Ghost Rider e das suas prometidas sequelas, não senhor, mas sim de Drive Angry, uma mistura de Gone in Sixty Seconds (2000) com Constantine (2005), tudo fundido num objecto de qualidade “trash” e filmado em 3D, para agradar as multidões adeptas deste formato tecnológico. Cage desempenha o mortal John Milton, uma espécie de alma condenada que escapa do Inferno com a sede de vingança da morte da sua filha, associada a um culto satânico. Agora o tempo escasseia para que possa salvar a sua neta de ser crucificada para um saciar os delirantes planos de um falso messias.
Numa altura que estreia com fartura os blockbusters que irão fazer o mundo render, um objecto norte-americano com uma veia tão primitiva e burlesca como este Destino Infernal (titulo traduzido) a estrear nas nossas salas, mesmo com os resultados decepcionantes nas bilheteiras dos EUA, é algo de improvável no comportamento das nossas distribuidoras. Antes de mais, o novo filme de Patrick Lussier (Dracula 2000, My Bloody Valentine) é um entretenimento brainless, despreocupado, sempre com olhar atento ao cinema trash que se encontra presente nas perseguições dignas de anos 70, nos efeitos visuais quase amadores, na violência gráfica e no ridículo que o seu argumento chega.
Claro que existe o factor Cage, que nos últimos quatro anos nos tem brindando, com desempenhos inúteis em filmes de péssimo gosto (excepto Bad Lieutenant: Port Calls New Orleans), em Drive Angry não será diferente do habitual, preenchendo todos os requisitos do herói solitário e violento de forma automática (o actor está me baixa forma, sem duvida), mas a fita nos compensa com empenhos competentes de Amber Heard (um mimo para o olhar), William Fichtner na pele de um enviado do Diabo que se auto-titula de Contabilista e um Billy Burke que rouba todas as cenas (para indemnizar as suas fracas aparições na saga Twilight).
Não existe aqui nada tentado ao Óscar nem mesmo em agradar multidões unanimemente, mas sim o que existe é um divertimento que se não se leva a sério e que explora com eficácia o retro com o moderno. Drive Angry é assim um conceito tresloucado de cinema, óptimo como complemento ao projecto Grindhouse de Tarantino e Rodriguez e de Machete. O trash em força!
Real.: Patrick Lussier / Int.: Nicolas Cage, Amber Heard, David Morse, Billy Burke, William Fichtner
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