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Título
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1.5.11
1.5.11

 

Do folclore Viking até às BDs da Marvel!

 

O filme de Kenneth Branagh leva o espectador a Aasgard (o reino dos Deuses), ao encontro de Thor (Chris Hemsworth), um guerreiro imortal de carácter arrogante cuja suas atitudes imaturas originaram consequências graves para o seu próprio povo. Devido a tal, mesmo sendo filho do todo-poderoso Odin (Anthony Hopkins), o pai de todo os deuses, é banido do de Asgard sob a ordem do seu progenitor e enviado para o Terra, isente de qualquer poder original. Contudo mesmo no seio dos terráqueos, o seu eterno inimigo o persegue, orquestrado inúmeros planos para derrotar aquele que é o legitimo herdeiro do trono. Para combater tal ameaça, Thor tem que comportar como um verdadeiro herói, um líder sempre pronto a sacrificar-se para um bem maior.

 

 

Thor invoca nostalgia para Kenneth Branagh (Hamlet, Mary Shelley’s Frankenstein), o qual revelou durante a produção que enquanto criança sempre sentiu fascinado com a imagem de mártir e algo divina deste super-herói da Marvel (sublinhando “super”). O actor e realizador não hesitou em aceitar o papel como director na adaptação ao grande ecrã em serviço da Marvel Studios, assim concretizando o dito desejo de criança. Thor ao contrário de Hulk ou Iron Man (nomeando dois dos principais heróis da linha Marvel) não foi um produto da imaginação dos seus criadores, mas sim uma readaptação do folclore nórdico em que deuses como o homónimo protagonista, Odin ou Loki, faziam parte das figuras religiosas que muitos dos povos bárbaros veneravam, nomeadamente os infames vikings.

 

 

Não existe dúvidas que Kenneth Branagh é um excelente visionário como realizador, mas em Thor parece encontrar-se apenas em modo de serviço, “biscate” como vulgarmente costuma-se dizer. É que na verdade esta sua nova produção tem mais de demo (mais um!) para o ambicioso projecto intitulado de The Avengers (com estreia prevista para 2012), carecendo identidade e acima de tudo solidez no tratamento algo moralista que tenta incutir no seu herói. Este é um claro exemplo de potencial corrompido pela dependência entre obras, o sacrifício em prol de um único propósito, um mero acessório aos "quadradinhos" visionados por Stan Lee.

 

 

Assim sendo, Thor tem todas as características dos recentes blockbusters; muitos efeitos visuais e uma enredo envolvido em vácuo. É nervoso em criar o seu próprio legado e compor as personagens apresentadas, sendo que elas (as humanas principalmente) aspiram o bacoco, o qual as suas insuficiências como tal são recorridas ao modo descartável (saudades de Natalie Portman em V for Vendetta). Chris Hemsworth como Thor, o Deus do Trovão, assemelha-se mais a um embrião de Schwarzenegger, inexpressivo e vazio como o dito austríaco, do que na verdade um herói de banda desenhada de qualidades divinas. Tom Hiddleston, o arqui-inimigo e o veterano Anthony Hopkins (excelente como sempre) são a força motora o qual o filme de Kenneth Branagh sobrevive. O desequilíbrio toma conta da fita e o cansaço se sente na sua narrativa, felizmente existe algum humor que torna esta experiência menos maçadora, principalmente vindo da personagem da tão descontraída e por vezes egocêntrica Kat Dennings.

 

 

Por fim, os estrondosos efeitos especiais, são firmados como cartões de visita deste tipo de produções, conduzem-nos a uma decadência de ideias sobressaída por uma riqueza visual e técnica. Thor torna-se assim num rotineiro blockbuster, um filme tão mecanizado e ausente de alma que parece mesmo que foi concebido "às três pancadas", sarcasticamente digno de uma boa "martelada". O pior mesmo é insinuar que por detrás desta tamanha farsa estamos perante um filme da autoria de Kenneth Branagh,incapaz de desenvolver o toque shakespeariano da sua intriga. Pois bem, é que com Thor vem-se salientar que os super-heróis encontra-se cada vez mais restringidos às eventuais batalhas entre estúdios. PS – ainda temos a nossa mercê um escusado e fútil cameo de Jeremy Renner como o futuro Hawkeye, que para os menos informados na matéria é mais um membro da ambiciosa equipa de super-heróis.

 

"Thor Odinson... you have betrayed the express command of your king. Through your arrogance and stupidity, you've opened these peaceful realms and innocent lives to the horror and desolation of war! You are unworthy of these realms, you're unworthy of your title, you're unworthy... of the loved ones you have betrayed! I now take from you your power! In the name of my father and his father before, I, Odin Allfather, cast you out!"

 

Real.: Kenneth Branagh / Int.: Chris Hemsworth, Natalie Portman, Anthony Hopkins, Tom Hiddleston, Clark Gregg, Stellan Skarsgard, Ray Stevenson, Jeremy Renner, Samuel L. Jackson, Colm Feore, Kat Dennings

 

 

4/10
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publicado por Hugo Gomes às 01:27
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3 comentários:
De ana a 3 de Maio de 2011 às 13:56
Senti um pouco isso no inicio do filme(como descreveu), mas depois do meio para a frente foi rir e sonhar mais( sempre admirei a mitologia nordica:) e senti foi que o filme acabou a meio..


De Miguel a 4 de Maio de 2011 às 00:51
Caro Autor,

Partilho de grande parte dos pontos de vista que expressa acerca deste filme. Alguns dos factos e opiniões que dá no seu texto são, de facto, muito interessantes.
Tenho, no entanto, de realçar a pouca qualidade do texto. Construções como "cuja sua atitude"; "o seu eterno inimigo o persegue" ou a frase: "Em termos de elenco é Tom Hiddleston, o arqui-inimigo e o veterano Anthony Hopkins (excelente como sempre) o qual Thor sobrevive." empobrecem o seu post e merecem mais cuidado, sob pena de prejudicarem a compreensão do próprio conteúdo do texto (que, repito, é bom).
Cumprimentos


De Gustavo a 7 de Maio de 2011 às 13:06
Nãoa chei assim tão mau, é engraçado, os efeitos especiais são optimos, o que estraga mesmo é o 3D, fraquito


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últ. comentários
Neste caso o director de fotografia não teve qualq...
Vi o filme ontem nos cinemas e adorei. Sendo filme...
Não menosprezando o colorista, que obviamente fez ...
Eu acho que você deveria olhar bem aqui em relação...
Fogo, não pode ser. Esse JP Caldeano é mesmo tuga?...
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