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1.5.11

 

O Sexto Sentido de Manoel de Oliveira!

 

Pseudo-intelectuais, designação comum para que qualquer um tenha hipótese de argumento, usualmente apelidando um crítico de cinema obstinado ou qualquer sujeito que por norma despreza tudo o que é blockbuster e filmes de todo o tipo de teor comercial, e que veneram o cinema de autor, com certa inclinação à obra de Manoel de Oliveira. Pseudo-Intelectuais, serve como um sinonimo de snobismo, por vezes fundamentando a teoria da demonstração do “ser inteligentemente culto”, sujeitar e contrariando filmes selectivos ao nosso gosto, porque a aclamação e o culto assim o insiste. Mas voltando a essa “seita” envolto do nosso realizador “monumento” com mais de 100 anos, o equivalente a um século de vida (invejável), tendo passado a quase de metade da sua existência em ligação com a sétima arte, Manoel de Oliveira cria em mim algo equiparado a um amor-ódio, porém admito que muitas vezes são as suas obras que levam o cinema português em encontro ao internacional, tendo em conta que todos sabemos que não são Os Crime do Padre Amaro ou as Call Girls que vingam no estrangeiro. Outro ponto que eu considero a seu favor é a sua modernidade vanguardista, que definiu um cinema próprio e identificável, como também clássicos do nosso panorama português (Aniki Bóbó e Belle Toujours vêm-me á memoria). Mas que por outro lado, estando muitas vezes ligado à sua profissão, Manoel de Oliveira nunca soube e parece sempre ter ignorado, qualquer execução para consolidar com o público português, a sua “casa”, o seu povo. Neste aspecto Oliveira falha com alguma ingratidão, grande parte dos seus filmes encontram-se cheios de pretensiosismo, cobiça em ser objectos de sapiência, mas é errado sublinhar tal coisa como imperativo, muitos desses momentos de reflexão são prejudiciais à própria narrativa, dando uma sensação de palavras soltas numa folha de papel em branco, ou seja ideias vagas em filme inexistentes delas.

 

 

O Estranho Caso de Angélica se destaca pela ideia da sua “coluna vertebral”, mas nela encontramos novamente o vazio de uma narrativa mais preocupada em adquirir a todo o custo, o estatuto de ensaio perleúdo que algo que assemelhe a um filme da “cabeça aos pés”. A nova película de Manoel de Oliveira nos remete à história de uma fotógrafo (Ricardo Trêpa) que é chamado às “altas” horas da noite para fotografar a recém-falecida Angélica (Pilar López de Ayala), como uma última recordação para a família. A partir desse momento e depois de tirada a “enigmática” fotografia, a personagem de Ricardo Trêpa é assombrada pelo espírito de Pilar López de Ayala, donde nasce uma estranha obsessão afectiva.

 

 

É interessante assistir um pequeno “abraço” de Manoel de Oliveira às novas tecnologias, principalmente no campo dos efeitos visuais, sendo este de momento um dos filmes mais inovadores do nosso cinema em termos de artifícios digitais, por incrível que pareça, destaque também para a fotografia e dos planos bem encabeçados pelo realizador (uma das suas imagens de marca). Todavia a ideia fundamental de O Estranho Caso de Angélica está na sua nostalgia transmissível, donde o filme é “içado” pelas mudanças. Mudanças, essas, representadas como uma evolução temporal do quotidiano social, que vai desde a morte do artesanato e do tradicional até á chegada da era industrial, tudo isto descrito num campo de vinhas em que a personagem de Trêpa observa ao longo do filme.

 

 

Porém, tudo o resto é demasiado vago, O Estranho Caso de Angélica cai por vezes no ridículo (os diálogos são algo de surreal), desde os comportamentos bizarros e inaturais dos seus personagens até ao teatral das suas interpretações (Ricardo Trêpa chega a ser mesmo um dos piores actores no activo ou na área errada), até aos erros de lógica que o filme atinge durante o seu desenrolar. Esperamos 50 anos por este projecto, Manoel de Oliveira sempre argumentou que a política da época não permitia realizar tal obra, contudo na justifica o tempo aguardado, o qual, O Estranho Caso de Angélica resumiu como um dos seus piores filmes.

 

Real.: Manoel De Oliveira / Int.: Pilar López de Ayala, Ricardo Trêpa, Filipe Vargas

 

 

Ver Também

Belle Toujours (2006)

Singularidades de uma Rapariga Loira (2008)

Cristovão Colombo – O Enigma (2007)

4/10

publicado por Hugo Gomes às 01:18
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3 comentários:
De Diogo a 12 de Dezembro de 2011 às 18:56
LOL .


De Rui Alves de Sousa a 6 de Maio de 2013 às 20:12
Eu acho que o pior filme, entre os que vi, é o Cristóvão Colombo... mas são opiniões! ;)


De Lázaro Chaves a 13 de Agosto de 2014 às 17:35
Gostei do filme. Grande trabalho de Manoel Oliveira e sua crítica ferina aos "pseudos" fica com a minha assintura em baixo!


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