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15.3.11

Luc Besson entre múmias e répteis voadores!

 

Não tendo a mesma notoriedade que Asterix, Tintim ou Lucky Luke, Adéle Blanc-Sec é um das mais importantes BDs franceses, que surgiu numa época em que o mundo se preparava para mostrar a sua natureza (os ousados anos 70). Embora pouco esquecida, a personagem criada por Jacques Tardi em 1976 e publicado em folhetins num jornal francês Sudouest, é um exemplo da rebeldia dessa década e da cada vez mais emancipação feminina, Adéle Blanc-Sec é uma jornalista e aventureira (com certos embriões de Indiana Jones) protagonistas das mais variadas aventuras de teor fantástico que remete um certo entalhe retro. Na BD, a nossa heroína é descrita como corajosa, inteligente e mal-humorada, ingredientes que garantem um certo carisma da personagem que transcreve na banda desenhada de Tardi, sendo que o autor não queria ceder os direitos do seu trabalho para a grande tela face a uma má adaptação da mesma, mas que acabou por deixar Luc Besson a pauta de maestro, por este exibir um dotado conhecimento da BD.

 

 

 

Assim sendo, Luc Besson (The Fifth Element, Leon) após terminar o seu imaginário na trilogia Arthur (o terceiro filme vem a caminho aos cinemas portugueses), o realizador que muitas vezes for a apelidado de “Spielberg francês”, recria uma Paris antes da primeira Guerra Mundial e no auge da febre da Arqueologia do momento (a egiptologia e paleontologia). Todo este decor nos exibe um trabalho visual e narrativo a nível dos grandes blockbusters de Hollywood, com a clara diferença, que se fala francês e o elenco é excepcionalmente francês. Besson é um dos realizadores europeus que mais a vontade se sente no rótulo de grande produção, conceituando uma aventura que reúne ingredientes de eleição pelo grande público, como também efeitos visuais que enriquecem Adéle Blanc-Sec em termos visuais.

 

 

Quanto ao verdadeiro medo de Jacques Tardi, a personagem feminina referida encontra-se me boas mãos na pele de Louise Borgoin, onde se cria uma heroína correspondente a um Bruce Willis em termos femininos. A actriz que não possui experiencia no cinema, tendo efectuado as tarefas como modelo e apresentadora de TV, garante carisma e consegue criar em Adéle Blanc-Sec uma personagem feminina de acção afiançada, porém Besson caído no registo de “agrada-audiências” pede á bela para demonstrar um lado mais emocional quando um background trágico é revelado na trama, e o desequilíbrio entre a narrativa episódica em que muita acção decorre de forma acelerada e a tendência frágil da personagem e semi-bacocista enfraquecem a fita de se tornar numa obra mais directa.

 

 

Todavia não nego que o humor francês é sempre um achado, os personagens encontram o seu estado de graça mesmo com desenvolvimento em poucas entrelinhas. Pelo sim, pelo não, está aqui o mais divertido filme de Luc Besson dos últimos anos, um aspirante a blockbuster que promete encantar públicos e que não envergonha de todo o espírito das obras literárias, Tardi pode respirar de alivio. Mas tal como os inúmeros filmes inspirados deste Les Aventures Extraordinaires d’ Adéle Blanc-Sec apresenta falhas na sua textura e de tentar ser á força sedutor ao abrangente número de espectadores, mas sabendo que Luc Besson nunca foi assim tão bom, até poderíamos dar um desconto. O vencedor do prémio de público no ultimo Fantasporto.

 

Real.: Luc Besson / Int.: Louise Borgoin, Mathieu Amalric, Jean-Paul Rove

 

 

5/10

publicado por Hugo Gomes às 05:22
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últ. comentários
Título do post muito criativo.
Legal o tema do post. Parabéns.
Aguardando. Blog bem legal!
Um luxo de actores num filme de lixo, repito LIXO....
Gostei muito da crónica. Vou acompanhar o seu blog...
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