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10.3.11

Um mundo resumido a dois!

 

O caos de uma relação dá origem a um filme tão distinto em termos interpretativos como este Blue Valentine, uma das descobertas do Festival de Sundance de 2010, que por cá recebeu o subtítulo de Só Tu e Eu que remete a ideia de uma fita que apenas limita a dois seres conjugais. Levado para a Europa através de uma secção paralela do Festival de Cannes, Blue Valentine é um projecto que demorou dez anos a ser feito, o realizador Derek Cianfrance (Brother Tied, 1998) descreve através da perfeita química entre os protagonistas, o retrato analítico de uma relação matrimonial á beira do abismo, num ensaio que cruza duas narrativas temporais que respectivamente indicam o inicio e “supostamente” fim de um amor que não sobrevive aos temíveis segredos do par e a força do tempo que desgaste qualquer indício de emoção.

 

 

O que dizer de um filme em que o trabalho de actores encontra-se perfeito, Ryan Gosling e Michelle Williams aspiram ao realismo, abundante em obras independentes, mas raro no cinema geral norte-americano, as suas prestações (nomeadamente a de Williams) é cruel, sensivelmente nata e frágil como vidro. Destaque também pela naturalidade da pequenina Faith Wladyka, que interpreta o fruto desta caótica relação. Todavia, mesmo com a complexidade dos desempenhos dos protagonistas, Blue Valentine apenas consegue ser mais um enésimo filme de actores, cujo trabalho de Derek Cianfrance como realizador não se consegue distinguir por entre aqueles tiques maneiristas de uma produção independente norte-americana, os trémulos da câmara são o exemplo.

 

 

Quanto ao argumento, não consigo esconder certo desapontamento no banalismo do tema, porém existe um certo misticismo em compatibilidade com o realismo que cria uma vertente clássica do final, final esse que não resume um definitivo fim como o simbólico “The End”, mas sim o inicio da dúvida do espectador sobre o destino de uma relação amorosa em que amorosa não tem nada. O assombroso último plano remete a um filme que mesmo sob a capa da vulgaridade cinematográfica consegue sem encantos falsos retrata uma relação tal como ela é, sem poesia nem alegoria.

 

Real.: Derek Cianfrance / Int.: Ryan Gosling, Michelle Williams, Faith Wladyka

 

 

8/10
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publicado por Hugo Gomes às 00:27
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