Romance com prescrições!
Para ser sincero nunca fui grande fã de Edward Zwick, os seus épicos parecem sofrer problemas graves de asma, já que fôlego, não possuem. Um dos exemplos é The Last Samurai (2003) e o cinismo de Blood Diamond (2006), quanto ao último Defiance, a conversa é outra. Mas não lhe nego a sua garra como director de actores, e esse factor é algo que o distingue na indústria hollywoodesca. Quem não se lembra do magnífico empenho de Denzel Washington em Glory (1989), filme sobre a Guerra Civil dos EUA em que o actor venceu a estatueta de Melhor Actor Secundário, ou de Djimon Hounson, divinal em Blood Diamond. Pois bem, neste singela comédia romântica, uma mudança brusca de registo por parte do realizador, poderemos contar com a carismática e notável perfomance de Anne Hathaway, que consegue ofuscar por completo o seu parceiro romântico Jake Gylenhaal (novamente juntos, 5 anos depois de Brokeback Mountain), porém ambos obteram nomeações aos Globos de Ouro nas categorias das melhores interpretações em comédias / musicais.
Love and Other Drugs é a adaptação das memórias de Jamie Reidy (a personagem de Gylenhaal), uma obra intitulada de Hard Sell – The Evolution of a Viagra Salesman. Como haviam percebido no título do livro adaptado, Reidy é um vendedor de produtos farmacêuticos, principalmente o revolucionário Viagra, com um currículo impressionante de conquistas amorosas (com mais veia sexual), mas o seu carácter frio e sedutor sempre o tornou imune à paixão, no entretanto o seu charme não consegue encantar Maggie Murdock (Anne Hathaway), o qual se sente atraído, iniciando assim uma batalha para conquistar a dita rapariga. Esta premissa descreve os primeiros 45 minutos do filme que logo instantaneamente se converte num drama romântico, cuja temática consegue destacar pela banalidade do tema e das situações.
Porém na primeira parte, Love and Other Drugs se comporta como um “seguidor” da cosmopolita comédia romântica norte-americana que apenas difere pelos seus contornos mais “picantes” (tudo gira á volta de um vendedor de Viagra, “for God sake”). Ou seja, com todas as variabilidades da sua narrativa, a nova fita de Zwick, que por sinal é das melhores da sua filmografia, porque consegue ser modesto, transpira banalidade em ambas as partes, dando a nós uma sessão dupla de fitas que transbordam a grelha televisiva dos fins de semanas.
Anne Hathaway é um achado como actriz, ela se torna num íman de interesse em todo o filme, dando uma personagem, que mesmo mecanizada, consegue ser ousada em diferenciação das variadas personagens femininas que Hollywood encontra-se farto. O resto do elenco resumem-se a pequenos segmentos tirados de outras comédias românticas, desde o irmão mais novo de Reidy que aspira ao ridículo de uma fita qualquer de Judd Apatow até ao doutor que pensa constantemente com a “cabeça de baixo”, nem mesmo Gylenhaal que se auto-proclama como protagonista escapa a esta revisão. Para ver com receita médica e em doses medicamente aceitáveis!
O melhor – Anne Hathaway obviamente
O pior – o filme se resume a uma sessão dupla de banalismo quase televisivo
Real.: Edward Zwick / Int.: Jake Gylenhaal, Anne Hathaway, Oliver Platt, Hank Azaria
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