O exterminador implacável e vikings!
Produzido em 2008 e apresentado em Portugal no festival do Fantasporto em 2009, Outlander tem finalmente estreia comercial no nosso país, três anos depois do seu ano de produção, evidenciando um desleixo total das distribuidoras quanto ao potencial desta fita. O seu argumento é invulgar para as grandes produções (custou cerca de 50 milhões de dólares), aspirando a cinema trash ou mesmo chunga para caminho directo para videoclube, mas a verdade é que Outlander tem muito mais do que se diga, do que cataloga-lo de inicio como produto inconsequente.
O novo filme de Howard McCain nos remete a uma premissa que tem de nostálgica alusão a Terminator de James Cameron, um homem que veio do futuro, e da lenda folclórica de Beowulf e Grendel, combinando a época de Vikings com criaturas fantásticas. Outlander é a história de Kainan (Jim Caviezel), um homem do futuro que chega ao tempo ainda governado por Vikings e outros povos bárbaros com o intuito de caçar uma criatura extraterrestre perdida no tempo, o temível Moorwen.
Equilibrado com sequências de cinema épico e dos efeitos especiais meramente razoáveis, Outlander é um entretenimento impressionante, tendo em conta a expectativa da sua produção. Como já havia referido, a premissa soa como qualquer “salada” de ficção científica digna dos anos 50 ou 60, mas funciona graças aos feitos produtivos profissionais, se não fosse o caso de ser produzido pela mesma equipa de O Senhor dos Anéis.
O filme invoca uma crescente linhagem clássica, há muito perdida nos blockbusters de hoje, os personagens tem carisma e despertam emoção, o elenco é eficaz, mesmo Jim Caviezel está limitadamente bom no seu papel de aventureiro futurista. Jack Huston e John Hurt têm um carisma profundo, Sophia Myles porta-se á altura, Cliff Saunders tem um personagem divertido, mas o melhor desempenho pertence a um fisicamente impressionante Ron Perlman (Hellboy), o homem parece mesmo um bárbaro!
Outlander é um despretensioso divertimento, capaz de criar personagens, fornecer ao espectador sequências de acção eficaz “embrulhadas” em magníficos cenários dos selvagens Fjord e o mais importante deste tipo de produção, entreter sem crer ser algo “bigger than life”, mas sim tornar-se inventivo e narrativamente sedutor. Um filme divertimento de linhagem clássica, para desfrutar no cinema, num tempo em que o 3D reina.
O melhor – entretenimento com influencias ao cinema clássico, pelo menos na caracterização dos personagens.
O pior – três anos de atraso e com o selo de “fiasco de bilheteira” do seu país de origem.
Real.: Howard McCain / Int.: Jim Caviezel, Jack Huston, Sophia Myles, John Hurt, Ron Perlman
Sites de Cinema
CineCartaz Publico