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11.2.11

A Voz do Rei!

 

Colin Firth demonstrou no ano passado, pela mesma altura, que se trata de um dos mais prestigiados e cobiçados actores britânicos da actualidade, coisa imprevisível há alguns anos tendo em conta que actor participava em fitas como Bridget Jones´s Diary, Love Actuality ou até mesmo What a Girl Wants. Era inverosímil diante de tal filmografia que o actor pudesse oferecer desempenhos tão excitantes e profundamente encarnadas como em A Single Man do estreante Tom Ford. Após perder o Óscar para Jeff Bridges, que interpretava o músico country Bad Blake em Crazy Heart (Scott Cooper), Firth, decidido na caçada da estatueta, protagoniza este drama que passou por imensas dificuldades na sua própria produção.

 

 

Para Tom Hopper  (o realizador), um estúdio negou o seu financiamento, explicando que não se encontrava interessado em produzir dramas, argumentando simplesmente que é um género que não rende, muito menos um filme envolto da gaguez do rei George VI. O certo é que nessa altura ninguém imaginava que The King’s Speech fosse um dos mais elogiados filmes do ano 2010, recebendo inúmeros prémios pelo caminho e estando nomeado a 12 Óscares de Academia, incluindo as categorias de Melhor Filme, Melhor Actor e Melhor Realizador, acreditando mesmo se tratar do maior dos obstáculos para a vitória de The Social Network de David Fincher na consagração dos mais mediáticos prémios do cinema, e quanto ao rendimento, o biopic de Hopper não se está a sair mal, tendo já arrecadado 170 milhões de dólares em todo o mundo.

  

 

Por outras palavras, a gaguez de um rei nunca fora tão falada, nem mesmo Colin Firth, que se encontra apontado como um dos grandes favoritos para a noite dos Óscares. O seu desempenho fenomenal recria um monarca inseguro, futuro rei, que imperativamente precisava de ser a Voz de uma nação em risco de viver tempos negros e conflituosos. O britânico actor é tão convincente no seu papel que mesmo os tiques de gaguez consegue mimetizar, e não falo da “estranha” maneira de falar, mas sim dos movimentos bocais e faciais que transmitem de forma realista a luta do homem contra a sua deficiência oratória.

 

 

Por mais estranho que pareça, uma simples ideia, a gaguez de George VI, conseguiu gerar todo ele um complexo plano de fundo, numa brilhante historia que explora as limitações de um homem que nascera para não ser limitado e desenvolve em prol do povo, tornando assim num dos factores fundamentais para a inspiração da mesma nação, que se encontrava em iminente ameaça da Guerra. The King’s Speech é para além de mais a história de amizade entre dois homens de meia-idade, o já referido rei George VI e do australiano Lionel Logue (interpretado pelo magistral e talentoso Geoffrey Rush), o seu terapeuta da fala, o único capaz de ajudar o monarca no combate a sua protagonizada gaguez.

 

 

Tom Hopper é a revelação, um realizador com faro para encantar emoções nos seus planos e requintá-los com magnificências visuais, a fotografia (da autoria de Danny Cohen), por exemplo, é fantástica. Depois seguem sequências filmadas com tamanha paixão, como aquelas em que protagonista proclama a sua "Voz", ou as cenas em que a dupla de actores expõe a sua brilhante química. Uma quimica digna de “buddies” da mais alta realeza.

 

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Recentemente a Rainha de InglaterraElizabeth II, filha de George VI, assistiu à fita numa sessão privada e o resultado foi comovente. The King’s Speech conta ainda com Helena Bonham Carter  (também ela nomeada ao Óscar), Guy Pearce, Timothy Spall como Churchill no elenco. Um dos raros filmes que tal como o protagonista, possuem realmente uma voz. Mesmo que classicista e modelarmente técnico, The King's Speech é uma proeza dramática, devolvendo novamente a classe à reconstituição de época, e o protagonista auxilia e muito atravessar essa dita qualidade!

 

“Because I have a right to be heard. I have a voice!”

 

O melhor –  comovente, um dos raros filmes com desempenhos "quase" perfeitos

O pior –  o seu percurso produtivo é a evidência que filmes como estes estão cada vez mais difíceis de fazer.

 

Real.: Tom Hopper / Int.: Colin Firth, Geoffrey Rush, Helena Bonham Carter, Guy Pearce, Timonthy Spall

 

8/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:04
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2 comentários:
De Diogo Figueira a 12 de Fevereiro de 2011 às 13:54
É um bom filme, um dos melhores do ano, mas não o acho assim tão perfeito. Firth está muito bem (mas não é um Day Lewis em There Will Be Blood, por exemplo), a realização é extraordinária (vou passar a seguir o trabalho do Hooper, a partir de agora) mas o argumento não vai para além de bom - é sempre previsível, apesar de conseguir contornar isso em grande parte, graças ao facto de estar bem construído, de ter bons diálogos e boas personagens.


De Gustavo a 13 de Fevereiro de 2011 às 17:21
è realmente um dos melhores filmes do ano, garnde desempenho de Firth.


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