Boxe e família!
De boxe, o cinema está cheio, desde o clássico Body and Soul (1947) com o fantástico, mas esquecido John Garfield até ao comercial Rocky (1976), passando pelo dramático Million Dollar Baby (2004) do realizador Clint Eastwood, o biográfico Ali de Michael Mann e até o corajoso Raging Bull de Martin Scorsese. Em 2011 eis que estreia nas nossas salas, o talvez, novo clássico do cinema de pugilismo, o duplo "biopic" The Fighter, que por cá recebeu o subtítulo de O Último Round.

A premissa deste novo filme de David O'Russell centra-se na verídica história de dois irmãos, unidos pela paixão de boxe, cujo mais velho, Dicky Eklund (um fantástico Christian Bale), tenta direccionar a carreira do seu congénere mais novo, Micky Ward (Mark Wahlberg). Porém a personagem de Bale encontra-se perdida entre a droga que o auto-destrói, enquanto que Ward tenta ascender-se neste mundo.
The Fighter é um projecto pessoal para o actor Wahlberg (Max Payne), que lutou cinco anos para o concretizar, o desejo de adaptar esta formidável história de o “velho sonho americano” advém da sua amizade com o próprio pugilista, Micky Ward. De seguida surgiu Christian Bale que aproveitou as recusas de Brad Pitt e Matt Damon para entrar no projecto, interpretando com ambição o irmão de Ward, Dicky Eklund, que para além de estudar os seus maneirismos, o actor emagreceu para poder encarnar o papel. Depois disto tudo, chegou a altura de escolher o realizador, sendo que Wahlberg recomendou Martin Scorsese a dirigi-lo durante a rodagem de The Departed, assinalando o clássico filme Raging Bull da sua autoria como grande influência da história. Mas ao autor recusou exprimindo que não apenas não se encontrava interessado em realizar outro filme de boxe. O projecto ainda chegou a caiu nas mãos de Darren Aronofsky (Black Swan) que entretanto teve que abandonar, até chegar a David O’Russell (The Three Kings).
De momento The Fighter é um dos mais fortes candidatos ao Óscar deste ano, principalmente na categoria de Melhor Actor Secundário, cujo Christian Bale venceu a respectiva categoria nos Golden Globe. Tal como sucedera a Robert DeNiro em Raging Bull, Bale se exibe como um camaleónico actor que sacrifica o próprio corpo em prol do cinema, demonstrando uma dedicação e paixão rara nos dias de hoje. O seu desempenho é um dos melhores do ano sem dúvida, ofuscando por completo Mark Wahlberg e o seu dito “jogo de sobrancelhas”. No campo das interpretações femininas temos ainda Melissa Leo que se destaca plenamente (nomeada ao Óscar) e Amy Adams que parece uma das predilectas da Academia, recebendo a nomeação para a categoria de Melhor Actriz Secundária por um papel seco e sem brilho.
The Fighter reflecte-se como uma obra invulgar na sua narrativa, exibindo um cariz que mistura habilmente o modelo biográfico com toques de mockumentario (falso-documentário), com influências para novas tendências. As lutas são do mais realista que se pode imaginar no cinema de pugilismo, fazendo mesmo acreditar que estamos perante a uma gravação dos reais combates de Micky Ward. Aliás com The Fighter, o boxe continua a ser o desporto que o cinema conseguiu adaptar e romantizar com toda a perfeição e é com filmes como este que nos exibe esta celestial combinação. E verdade seja dita, por Christian Bale, esta obra vale realmente a pena.
"I'm the one fighting, okay? Not you, not you, and not you."
O melhor – Christian Bale obviamente
O pior – Mark Wahlberg nunca teve estofo para protagonista
Real.: David O’Russell / Int.: Mark Wahlberg, Christian Bale, Melissa Leo, Amy Adams
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