“Dirty” Wayne e a entrada dos anos 70!
Hollywood assistiu nos anos 70 a sua época de adolescência, sua perda de ingenuidade, sua adquirida de irreverência. Todavia mesmo em finais dos anos 60, tal mudança assistia lentamente o cinema norte-americano, o que de forma amedrontava os mais conservacionistas e ortodoxos da velha formula da extinta era de ouro de Hollywood. Nesse momento, a violência, o conteúdo sexual e a exploração de tabus libertava-se trazendo consigo a era que definitivamente mudaria a face do cinema dos EUA e dos grandes estúdios em gerais.
E é certamente por isso que escondo um pouco de desapontamento quando assisti pela primeira vez True Grit de Henry Hathaway, o western que deu o Óscar a John Wayne. É decerto que se sente essas proximidades temporais, como o personagem de Wayne similar ao futuro Dirty Harry de Clint Eastwood, ou da sequência ousada em que um dos criminosos para poder calar o seu companheiro corta-lhe os dedos da mão, mas tirando isso, True Grit é um dos exemplos acabados de um cinema que tenta progredir, alcançando as mentalidades que os espectadores se despertam.
Adaptado do romance de Charles Portis, True Grit centra-se na busca por criminosos em terras índias levada a cabo pelo xerife Rooster Cogburn (John Wayne) e de Mattie Ross (Kim Darby), uma adolescente que tem como desejo apanhar o responsável pela morte do seu pai. É um western de modelos classicistas, mas obsoletos para a época, as interpretações são over-acting, principalmente por parte de Darby e quanto ao lendário Wayne, o Óscar é quase uma homenagem de carreira do que algo verdadeiro merecedor, se o actor lograsse o prémio seria em filmes como The Man who Shot Liberty Valance (John Ford, 1962) ou até mesmo The Searchers (John Ford, 1956). O elenco secundário, excepto o jovem Robert Duvall, também encontra-se contagiado com interpretações exageradas e por vezes ridículas.
A fita, toda ela, é uma dose de irrealismo devido a uma realização ineficaz por parte de Hathaway, isso verifica-se numa produção com inúmeras falhas de lógica, como por exemplo a sequência em que a personagem de Kim Darby lança-se ao rio com o seu cavalo, na cena consegue-se ver que a personagem nada em conjunto com o seu equídeo, porém quando sai da água, as suas roupas encontram-se secas, cenas essas onde erros são evidentes surgem demasia em True Grit. Mas nem tudo é mau nesta poeirenta obra, a fotografia é esplêndida, exibindo derradeiras paisagens únicas na história dos westerns americanos e a música da autoria de Elmer Bernstein é clássica, do tipo que não será ouvida em muitos e muitos anos, todavia a inserção no duelo final de Rooster com o vilão interpretado por Duvall consegue ser inadequada e incomodativa.
Mesmo tendo o estatuto de clássico, este “A Velha Raposa”, titulo traduzido, é um dos mais fracos filmes protagonizados por John Wayne, uma leitura mal lida do clássico literário de Charles Portis. Vale por muito pouco, mas na sua época foi considerado uma “espécie” em vias de extinção, quer do género, já que o western não continha a mesma força que outrora (falo anos 40 a inicio dos 60) e de Hollywood que estava a mudar de olhos vistos.
O melhor – a fotografia e John Wayne
O pior – pode muito bem ser um clássico, mas é um filme um pouco aldrabado para o seu tempo
Real.: Henry Hathaway / Int.: John Wayne, Kim Darby, Glen Campbell, Robert Duvall, Dennis Hopper
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