A cela do terror!
Nos últimos 10 anos muito evoluiu o cinema espanhol, talvez tornando-se actualmente num dos países mais competidores no ramo cinematográfico, claro que em comparação dos EUA está a anos-luz, mas no chamado “cinema estrangeiro”, o qual estamos incluídos, é dos mais rigorosos. Espanha tem assim a sua Hollywood nacional, produções que gozam do estatuto de sucessos, não só nacionais como em todo o Mundo e actores já convertidos em reais estrelas de cinema, os casos mais recentes de Penélope Cruz (já vencedora do Óscar de Melhor Actriz Secundaria) e Javier Bardem (o do Óscar de Melhor Actor).
Celda 211 centra-se num motim de uma prisão, onde os reclusos tomam de assalto grande parte do estabelecimento. O bando liderado pelo infame e líder Malamadre (Luís Tosar) exige condições menos severas no estabelecimento prisional, se as exigências não forem cumpridas ele ordenará a execução de três prisioneiros políticos. Mas a maior preocupação das autoridades trata-se de um funcionário, Juan Oliveira (Alberto Ammann), que fica encurralada entre a multidão de criminosos, violadores e assassinos. Para sobreviver, Juan finge ser um deles, sem saber que isso o levará a incerteza de lados a seguir.
Celda 211, adaptado do livro homónimo de Francisco Pérez Gandul, foi o grande triunfante dos últimos Goya (um equivalente aos Óscares em espanhol), vencendo 6 distinções incluindo Melhor Filme e Melhor Actor (Luis Tosar). A fita de Daniel Monzón (que também participou na escrita do argumento) é um dos mais recentes exemplos do perfeito avanço do cinema espanhol em relação a muita cultura cinematográfica europeia (nomeadamente Portugal). Falo de um filme corajoso, intrinsecamente visceral, calmo com a narrativa sabendo quando entrar no “climax” ou não, porém não perde tempo com introduções ou moralidades “a lá Hollywood”. Temos aqui uma película (como se diz em espanhol) versátil quer na comercialidade do mesmo, sendo viável a um grande numero de países. Imagino que se vingue nos EUA (país esse que odeia legendas).
As interpretações são fortes, incluindo o carismático personagem Malamadre, desempenhado por um irreconhecível Luís Tosar e do outro canto a revelação, Alberto Ammann, a citar a negra evolução do seu personagem, o seu desenvolvimento chega a ser arrepiante. Existe no final disto tudo uma mensagem um quanto irreverente e politicamente incorrecta, mas destemida. Em certos momentos da fita, os criminosos e homens da lei tornam-se parte de um retrato, o da violência, que incentiva a sobrevivência, fazendo com os dois lados da lei se fundem, ou seja tão diferentes e ao mesmo tempo idênticos.
O remake norte-americano já vem a caminho, mas enquanto isso, por favor, não percam a grande película de entretenimento oriundo dos “nuestros hermanos”, é de corar e desejar que o nosso cinema fosse assim tão audaz. Poderoso!
O melhor – é corajoso e os desempenhos são um mimo
O pior – o remake vem a caminho!
Real.: Daniel Monzón / Int.: Luis Tosar, Alberto Ammann, Antonio Resines
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