Gulliver 2.0!
Jonathan Swift escreveu em 1726, a história As Viagens de Gulliver, que consistiu um sátira do seu tempo e que nos dias de hoje continua a ser uma critica ao capitalismo e as desigualdades sociais. A primeira versão da história clássica aconteceu em 1902, com a curta de George Méliès, Le Voyage de Gulliver à Lilliput et Chez les Géanus, passado 33 anos, Aleksandr Ptushko apresenta a sua versão mais ácida do conto, The New Gulliver, que foi o primeiro objecto cinematográfico a juntar acção real com animação stop-motion. Em 1960 surgiu uma versão mais Hollywoodesca, realizada por Jack Sher e Kerwin Matthews na pele do Dr. Lemuel Gulliver, em 1996 surge-nos a mini-série de luxo e de grande êxito produzido pela Hallmark, protagonizada por Ted Danson, que redefiniu o conto para o final do século.
No inicio de 2011 eis que estreia a variação mais cómica, verifica-se tendo Jack Black como protagonista, o que não quer dizer outra coisa para além da comédia. Black é a trasladação mais moderna de Lemuel Gulliver, um humilde empregado de um Jornal de Nova Iorque que decide investigar o mistério do Triangulo das Bermudas, a fim de escrever um artigo o qual tenta impressionar a sua paixão, desempenhada por Amanda Peet. O nosso herói viaja então para o local pretendido e é transportado um mundo paralelo, onde ele é um gigante em terra de miniaturas.
È verdade sim senhora, que esta nova incursão ao conto de Swift deriva da “explosão” da tecnologia a três dimensões e a oportunidade da inflação dos bilhetes para garantir o seu sucesso, de resto assistimos a um comédia meramente física e de mau gosto liderado pelos tiques e manias do actor, Jack Black, que nos últimos anos não favoreceu os seus promissores projectos. Gulliver’s Travels é dirigido por um realizador vindo da produção de inúmeras animações da Dreamworks como Shark Tale (2004) e Monsters Vs. Aliens (2009), o que se verifica na ingenuidade das suas personagens e na infantilidade das suas piadas, recolhendo á sátira mais básica.
Se Jack Black é igual a si mesmo, que preocupa sendo que o actor encontra-se preso ao seu ego (fazendo relembrar o caso de Owen Wilson ou Adam Sandler), o que dizer de uma ruim Emily Blunt ou de um bocejante Jason Siegel (a pensar que o rapaz teve graça no êxito apadrinhado por Judd Apatow, Forgetting Sarah Marshall) e quanto a Amanda Peet, nem se fala, limitada ao seu descartável papel de par romântica.
Tal como acontece muitas vezes com as variadas variações modernas dos clássicos mundiais da literatura, Gulliver’s Travel é uma ofensa para todos aqueles que cresceu a ouvir o conto, um caso disparatado de lucrar á conta da reciclagem de ideias e da moda “á la três dimensões” que dificilmente se poderá apelidar de cinema.
O melhor – o 3D apesar de tudo
O pior – o que o filme representa na industria cinematográfica
Real.: Rob Letterman / Int.: Jack Black, Jason Siegel, Amanda Peet, Emily Blunt
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