Bem-Vindo ao Burlesque!
Burlesque, vindo da palavra portuguesa de burlesco, dança essa que inspira o grotesco e o exagero digno de cabaré, encontrou-se presente em inúmeras obras cinematográficas em que essas perfomances musicais era as grandes valias e talvez o nicho sobrevivente de muitas actrizes, relembremos por exemplo Mae West em I´m No Angel de Wesley Ruggles ao lado de Cary Grant ou a famosa dança burlesca de Marion Martin e Gloria Dickson em Lady of the Burlesque de William A. Wellman. Quanto a este Burlesque, dirigido por Steve Antin, a verdadeira atenção não se concentra nesse dito ambiente burlesco, toda a campanha de promoção foi envolta da sua dupla de protagonistas, de um lado, a vencedora do Óscar de Melhor Actriz, Cher, num regresso ao cinema após sete anos desde o seu pequeno papel em Stuck on You, e do outro, Christina Aguilera, na sua estreia cinematográfica como protagonista. Elas, respectivamente desempenham mestra e discípula, não somente em termos narrativos mas no panorama interpretativo, não sendo descabido de todo afirmar que Aguilera encontra-se no mesmo caminho que Cher no cinema.
Sendo que Burlesque, as cantorias e as danças são o prato principal, é verdade que Aguilera é uma astro nesse ramo, brilhando com esplendor em cima do palco encenado. Mas quando se pede à cantora pop para interpretar, longe do “flash” ela consegue, o mesmo se pode dizer de Cher, a antiga rainha do pop, que com a sua avançada idade e plásticas em demasia (difícil é tirar-lhe aquele riso falso) percorre um automático perfomance sem deslumbre nem pouco lá perto. Ou seja nessa jornada de “lenda” e “estrela”, ambas executam com perfeição o seu talento vocal (Cher e o seu momento musical, “You haven’t seen the last of me”, o qual aposto que será indicado nos Óscares de Melhor Canção), mas quando tentam ser algo longe de meros artistas musicais, falo obviamente de ser actrizes e protagonistas, a decepção é imensa.
Burlesque é um daqueles pobres primos de Chicago de Rob Marshall que vive sob influência do seu duo, o argumento é longe da solidez, criando um desfecho fácil e apressado perante na premissa que nunca chega a concretizar. Mas nem tudo em Burlesque é totalmente mau, para dizer a verdade nem será merecedor do prémio de pior musical do ano ou algo que valha, sendo a música contagiante, as coreografias pomposas e um elenco secundário é disposição, sendo Cam Gigandet um detentor de bom carisma, Kristen Bell em modo formidável e Stanley Tucci, mesmo repetindo o seu papel “over and over”, é sempre um must.
Resumindo e concluindo, se irão ver a fita de Steve Antin (sua estreia na realização de uma longa metragem), certamente não irão com a esperança de ver algo sublime em termos musicais, trata-se um exemplo menor do género, mas que sobrevive graças ao elenco secundário e a sua identidade deveras musical. Canta mas não encanta!
O melhor – a canção “You haven’t seen the last of me”
O pior – A dupla de protagonistas
Real.: Steve Antin / Int.: Christina Aguilera, Cher, Cam Gigandet, Stanley Tucci, Kristen Bell, Alan Cumming
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