A piada do desperdício de actores!
Continuando a espremer os filões até á exaustão, The Little Fockers é mais uma manha comercial para se continuar a lucrar com as personagens de uma das mais bem sucedidas comédias norte-americanas. Tudo começou em 2000 com Jay Roach a refazer o “discreto” ensaio cómico de Meet the Parents de Greg Glienna (1992), que resultou num êxito de bilheteira e sucesso entre o público, sendo que o confronto entre DeNiro e Ben Stiller (respectivamente sogro e genro) seja dos momentos mais divertidos na vasta gama de comédias comerciais norte-americanas. Passado quatro anos o elenco cresceu, tornou-se mais luxuoso com as entradas de Dustin Hoffman e Barbara Streisand, e sob o titulo de Meet The Fockers, Jay Roach conheceu novamente o sucesso com este “round 2”, tendo rendido cerca de 500 milhões de dólares em todo o Mundo (uma das comédias mais lucrativas de sempre). Agora chegamos á desforra na disfunção da relação entre sogro e genro, na terceira estadia – The Little Fockers – que vem representar previsivelmente neste final e inicio de ano, um dos maiores êxitos comerciais da época.
Cinco anos passaram, a família Focker cresceu e Jack (Robert DeNiro) sente que cada dia que passa pode muito bem ser o seu último, tendo um papel de figura patriarcal no seio da família, o antigo agente da CIA reconhece que o seu legado tem que continuar escolhendo Greg Focker (Ben Stiller) como seu eventual sucessor.
The Little Fockers estica em demasia o que já deveria ter terminado em 2004, o confronto para além de ficcionaria se torna numa disputa desigual em termos interpretativos, todos nós sabemos que um DeNiro em baixo de forma nem sequer é comparável com a melhor perfomance de Ben Stiller (mesmo tendo demonstrado a sua faceta de actor em Greenberg). Obviamente o filme não se resume a níveis artísticos, e mesmo tendo um leque estimável de actores de nome, nenhum deles consegue (não por ser capaz) de fugir às eventuais caricaturas em que são submetidos, sendo que DeNiro continua a ser o melhor da fita. O actor “old school” eternizado com Taxi Driver e Ragging Bull é alvo de chacota com os gags típicos do rol comercial da comédia americana, e tal como sucede das fitas anteriores, interpreta uma caricatura do seu próprio ego, nesta terceira estância há claros contornos de referência á série Padrinho, principalmente o galardoado segundo filme de 1976 onde o actor participa.
Stiller segue á deriva, e a dupla Hoffman / Streisand só se encontram na fita para fazer peso nos nomes de cartaz, Owen Wilson é igual a si mesmo, Jessica Alba por motivos estéticos e escandalosamente contamos com a participação de Harvey Keitel, actor esse de longa carreira, tendo uma obra composta por filmes ímpares como Mean Streets de Martin Scorsese ou Bad Lieutenant de Abel Ferrara, que não vê o seu nome no dito luxuoso cartaz. Quanto ao actor tem-se vindo a verificar aos poucos um desfocamento de sua pessoa nos filmes, após ter sido mal aproveitado nos dois National Treasures ao lado de Nicolas Cage, Keitel, figura importante foi nos anos 70 e 80, se torna num secundário anónimo. Triste sim senhora!
Jay Roach dá lugar a Paul Weitz, que tem conhecido o fracasso comercial com a primeira (e talvez ultima) adaptação de Cirque du Freak – The Vampire’s Assistant, o seu trabalho em The Little Fockers é reconhecivelmente industrial, sendo Weitz um auto com alguma relevância em Hollywood, preferiu entregar-se ao anonimato, porém ao sucesso garantido. Comédia que desaproveita os actores, situações banais que se tornam rotina, tal como a falta de puros risos. Esperemos que não haja um quarto!
O melhor – DeNiro obviamente!
O pior – Harvey Keitel mais próximo do anonimato
Real.: Paul Weitz / Int.: Ben Stiller, Robert DeNiro, Owen Wilson, Jessica Alba, Barbara Streisand, Dustin Hoffman, Laura Dern, Harvey Keitel
Sites de Cinema
CineCartaz Publico