O ano 2010 poderá ter sido um bom ano de cinema, mas também chegou-nos a proporcionar alguns momentos dignos de ridículo. Antes da cobiçada lista da minha selecção dos dez melhores filmes do ano, passo primeiro pela “câmara dos horrores” com as dez piores obras de 2010.
#10) The Bounty Hunter (Andy Tennant)
A ideia podia ser qualquer coisa de interessante: um caçador de recompensas tem o serviço da sua carreira que é capturar e levar para a prisão a sua ex-mulher. Claro que toda a premissa envolta do casal Gerard Butler e da tão gasta Jennifer Aniston é do mais banal e previsível que poderemos encontrar nas comédias românticas norte-americanas. Só por causa disto o argumentista devia ter a sua cabeça a prémio. Ver crítica
#09) Marginais (Hugo Diogo)
São filmes como este que o cinema nacional não anda nem desanda, sem ideias, confuso e pretensioso, as interpretações roçam a mediocridade e as escolhas narrativas não foram as melhores. Até tenho pena deste projecto, anos que demoraram a ser feitos, interesse e esforço, no final para quê? Ver crítica
#08) Percy Jackson & the Olympians – The Lightning Thief (Chris Columbus)
Baseado num conjunto de livros infanto-juvenis escrito por Rick Riordan, Percy Jackson era muito anunciado como o antecessor do Harry Potter em termos literários como cinematográficos. A magia de Hogwarts é substituído pela mitologia grega e Chris Columbus (dos dois primeiros Harry Potters) dirige esta incursão adolescente minada de efeitos especiais e um desvairado conjunto de interpretações medíocres vindo dos jovens protagonistas. Não tem o carisma do pequeno feiticeiro, nem a história possui os mesmos contornos de imaginação. Foi aborrecido este espectáculo! Ver crítica
#07) When in Rome (Mark Steven Johnson)
De boas intenções o Inferno está farto, pelo menos é o que se diz. Antes de defenderem todo o clima romântico desta “peça”, saliento que When in Rome, curiosamente vindo do realizador de Daredevil e Ghost Rider, é um impostor. Antes de mais, se julgavam tratar-se de uma comédia romântica ambientada na cidade do Amor, Roma, enganem-se, cerca de 80% decorre na cosmopolita Nova Iorque, sendo mais um a juntar a pilha de “New York love stories”. Depois existe uma tremenda falta de respeito por um elenco constituído por Danny DeVitto, Anjelica Huston, Patrick Wilson e John Heder, todos irreconhecivelmente maus e com péssimos personagens, por fim a banal caricatura do estereotipo italiano, como sempre. Ver crítica
#06) Vampires Suck (Jason Friedberg, Aaron Seltzer)
A verdade é que aquilo que parodia é tão ridículo como o próprio filme, mas isso não é desculpa para que as piadas sejam do mais fácil e pouco imaginativo que há. Dos mesmos criadores de Date Movie e Disaster Movie (falamos de “obras primas” da comédia), Vampires Suck é mais do mesmo, não varia das obras anteriores, mas ao contrário deles é um oportunista de primeira, quem agradece isto são os “haters” da saga Crepúsculo. David Zucker, where are you? Ver crítica
#05) The Other Guys (Adam McKay)
Will Ferrell é divertido, em doses saudavelmente consideráveis, Mark Wahlberg, porém, só tem feito ultimamente muita borrada. Ambos são a dupla estrelar desta enésima paródia dos policiais nova-iorquinos, mas desta vez o ridículo é levado ao extremo com um bombardeamento de piadas sem sentido, e não falo do estilo non sense, um argumento que não existe e i suicídio de Samuel L. Jackson e Dwayne Johnson, que podiam muito bem salvar o filme da ruína total. Ver crítica
#04) Saw 3D (Kevin Greutert)
Eis que chega finalmente o digno fim da série de terror que empestou a sete anos seguidos e pelo andar da carroça tudo foi efeito do “sete anos de azar”, porque para além de obter lucro fácil com a “surpreendente” aposta do 3D, o sétimo Saw cheira a terror de prateleira, falso, artificial, pretensioso, mas no geral ridículo desfecho de um franchising que não dava sinais de melhoramente desde o segundo filme. Tenham dó de nós.
#03) Killers (Robert Luketic)
Já chamaram especialista para encontrar nos inclassificáveis 90 minutos de fita, um argumento ou a definição para aquilo tudo. Comédia protagonizada por Katherine Heigl e Ashton Kutcher, sem ponta que se pegue. Mais de duas frases acerca deste filme já é presunção. Ver crítica
#02) Spy Next Door (Brian Levant)
Jackie Chan destroçado, decide afogar as mágoas com esta comédia digna para toda a família, pelo menos é o que tentam vender. O actor chinês não tem vida, nem se esforça para surpreender e até mesmo chega a bater numa mulher, tudo num filme para “inglês” ver. Chan bateu mesmo lá no fundo com esta parolice, porém preparem-se porque The Spy Next Door tem potencial para o título de “filme que as televisões mais repetirão num domingo á tarde”, me aguardem! Ver crítica
#01) Resident Evil – Afterlife (Paul W.S. Anderson)
Senhores e senhoras, para todos aqueles que esperavam pelo mito cinematográfico da década de 2000, mito esse que iniciou-se em 2003 e que a partir daí toda a gente pergunta – “Será que vai haver continuação para Matrix Revolutions?” – a resposta encontra-se nesta obra de Paul W. S. Anderson. Uma fita erraticamente baseada num homónimo videojogo, mas que Milla Jovovich veste a pele de uma Neo feminina cujos adornos são todos os tiques e manias dignos da trilogia dos irmãos Wachowski, já nem falo do vilão, que mais mortais que dê, os óculos de sol não caiem de maneira alguma. Resident Evil – Afterlife é o hino da “não criatividade”, o lema que dita os blockbusters – dinheiro fácil e sem compromissos com o espectador. Terrivelmente mau! Ver critica
Menções desonrosas – Marmaduke, Didi you Hear about the Morgans?, The Twilight Saga – Eclipse, Skyline, The Sorcerer’s Apprentice
Outras categorias
Pior Actor – Shawn Roberts (Resident Evil: Afterlife)
Pior Actriz – Betsy Russell (Saw VI)
Pior Realizador – Paul W.S. Anderson (Resident Evil: Afterlife)
Pior Argumento – Paul W.S. Anderson (Resident Evil: Afterlife)
Piores Efeitos Visuais – Resident Evil: Afterlife
Desilusões – Lovely Bones, The Last Airbender, Clash of the Titans, Nightmare on Elm Street, Red Baron
Sites de Cinema
CineCartaz Publico