“Everyone’s hate a tourist”
Juntar Johnny Depp e Angelina Jolie pode muito bem ser chamada de aposta milionária, ainda por cima num remake de um bem sucedido filme francês de 2005, Anthony Zimmer, é dinheiro fácil e sem grande esforço. Porém é revoltante que tudo isto esteja na mão de Florian Henckel von Donnersmack, o artesão por detrás do êxito crítico e de público de The Live of Others, o vencedor do Óscar de Filme Estrangeiro de 2007, o ultimo filme do actor alemão Ulrich Muhe.
Enquanto The Live of Others é um retrato calculista do estilo de vida limitado e censurado na época RDA, o qual seguimos um espião do Governo que literalmente infiltra-se na vida de um casal idealista, de inicio frio fase às suas vidas logo interessa-se pelo conteúdo humano das mesmas, em The Tourists temos aquilo que vulgarmente apelidaríamos de “filme de estúdio” ou seja algo realmente vazio. Depois de uma obra envolvente e mundialmente falada, Donnersmack volta a estar nas bocas do mundo, mas desta vez ofuscado pelo brilho estrelar dos alicerces hollywoodescos, desde as estrelas ao seu carácter de obra comercial.
The Tourist fala-nos de um criminoso perseguido por mais de 14 países, Alexander Pearce, o qual desconhecem o seu aspecto e de um vulgar “turista”, Frank Tupelo (Johnny Depp) que é confundido como tal, sem se perceber que caiu numa cilada da autoria do tão infame bandido e da bela Eloise (Angelina Jolie). Nesta história de confusões e de falsas aparências poderemos tirar partido doutro personagem, Veneza, cidade semi-submersa de Itália, tão mal aproveitada neste thriller “fast-food”, onde nem o ambiente romanesco se faz sentir. A verdade é que Veneza é uma das diferenças do original, onde a acção centrava-se na cidade costeira francesa, Nice, tirando isso, outras divergências entre a obra francesa e a produção norte-americana estás nas suas claras influências. Enquanto Anthony Zimmer de Jérôme Salle existe certa abordagem ao cinema de Alfred Hitchcock, The Tourist recorre ao mais preguiçoso e sofisticado desenrolar descrito pormenor a pormenor, como se o publico norte-americano não gostasse de utilizar a matéria cinzenta em plena visualização ao contrário dos europeus que só fruem o essencial.
Donnersmack está irreconhecível, o humor que por vezes se torna ridículo toma conta da acção, a intriga perde-se pelas regras do “livro” de “como fazer um sucesso para todos sem magoar susceptibilidades de ninguém” e do “best-seller” de que o “americano é um centro do Mundo”. Coisas banais da maioria das grandes produções ao ritmo de uma pomposa banda sonora com claros toques de “espionage”.
O que dizer dos actores? Angelina Jolie está um espectro de si própria e Johnny Depp sem chama num dos seus papéis mais fracos. Timothy Dalton e Paul Bettany são os únicos que roubam as cenas enquanto Steve Berkoff reina por absoluto como vilão de serviço. The Tourist vende-se por tão pouco e esforçasse ainda menos. Espectáculo penoso com estrelas incluídas.
O melhor – talvez Steve Berkoff
O pior – ser ridículo em comparação com o remake
Real.: Florian Henckel von Donnersmack / Int.: Johnny Depp, Angelina Jolie, Paul Bettany, Rufus Sewell, Steve Berkoff, Timothy Dalton
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