Hitchcock falando francês, ou quase …
Enquanto se encontra nos cinemas “The Tourist” de Florian Henckel von Donnersmarck, com a dupla estrelar de Johnny Depp e Angelina Jolie, quer-vos falar do filme original que o inspirou, Anthony Zimmer de Jérôme Salle. Anthony Zimmer remete-nos á perseguição da polícia ao criminoso internacional homónimo, o qual toda a gente desconhece o seu aspecto e fisionomia. Nesta trama policial encontramos François Taillander (Yvan Attal), um simples sujeito trintão divorciado que conhece a sensual Chiara Manzoni (Sophie Marceau) dentro do TGV. Após “dois dedos” de conversa, Taillander logo se depara com um irrecusável convite de Chiara para passar o fim-de-semana com ela num hotel de luxo, em Nice, a costa francesa. O que supostamente era para ser um serão de sonho ao lado de uma igualmente sonho de mulher, se torna num vertiginoso jogo de gato e rato, onde François é confundido por Anthony Zimmer, assim caindo numa cilada construída pelo mesmo.
Anthony Zimmer é um thriller com claras influências ao cinema Hitchcock, principalmente pelas obras desempenhadas por Cary Grant, nomeadamente To Catch a Thief e North by Northwest, onde o claro jogo de personalidades se faz sentir e a simbiótica utilização das paisagens auxiliam a trama para contornos visuais mais sedutores. Esta produção francesa aprendeu com os tópicos deixados pelo mestre, mas obviamente o argumento de Salle não se equipara ao génio do “mestre do suspense” nos seus escritos.
O filme de Jérôme Salle é um daqueles produtos cuja intriga caminha em benefício do twist final, da surpresa que tenta causar no espectador, esquecendo de facto que não é preciso muito para chegar a tal conclusão, existindo assim certas inverosimilhanças que “falsificam” o argumento em prol da resolução. Mas o jogo aqui construindo constitui-se como agradável, graças a um conjunto de seduções visuais e da boa forma dos actores, entre os quais a dualidade de Yvan Attal e a sensualidade ferida de Sophie Marceau (conhecida internacionalmente pelo seu empenho em Braveheart de Mel Gibson), e no elenco secundário destacando-se Sami Frey (Black Widow).
Anthony Zimmer resume-se a um entretenimento passageiro, com mais falhas de lógica que propriamente soluções cerebrais, mas compensa com uma produção impecável quer a nível técnico e mesmo interpretativo. È comercial? Sim é, mas descansa-nos um pouco as pretensões hollywoodescas.
O melhor – o visual e os actores
O pior - o twist final tem pretensões de ser surpreendente, mas atraiçoa a própria compreensão da história.
Real.: Jérôme Salle / Int.: Sophie Marceau, Yvan Attal, Sami Frey
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