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8.11.07

 

Quando a adolescência é uma guerra!

 

Num futuro próximo, o Japão vive tempos difíceis numa era depressiva, onde cerca de um milhão de habitantes encontram-se desempregados e a delinquência juvenil aumenta dia para dia. Num país outrora moderno e exemplarmente civilizado, a escolaridade deixou de ser obrigatória, e para impedir o crescimento dessa criminalidade cada vez mais precoce, o Governo decide implantar a chamada lei BR (Battle Royale). Segundo esta lei radical e controversa, uma turma é escolhida ao acaso e levada inteiramente para uma ilha deserta durante três dias. Durante esses dias, os alunos tem a prioridade de sobreviver, nem que com isso tenham que matar os seus colegas. O objectivo do BR é fazer com que reste apenas um de maneira a controlar a superpopulação e a delinquência de menores.

 

 

 Adaptado da igualmente controversa manga de Koushun Takami, Battle Royale é um dos filmes mais arrojados dos últimos anos, "um murro do estômago" que se situa algures entre a critica social e o cinema dito de série B. Porém na obra dirigida por Kinji Fukasaku, a acida crítica que se prometia é logo cedo abandonado dando entrada a uma espectáculo jubilosos e gratificante em termos visuais e de violência quer física ou psicológica. Este é sim, um filme sobretudo exposto para causar tormentos e reflexões ao espectador, não (como já havia referido) em eventuais afrontamentos sociais mas no próprio destino dos imensos personagens, que pouco a pouco convertem-se de meros bonecos-alvos a sólidas composições.

 

 

É um mundo adolescente em aberto, visceralmente através das suas motivações e espírito rebelde, os dilemas expostos para atenuar a sua própria natureza. Para isto junta-se um cenário bélico desorganizado, visualmente exagerado, pausado com humor negro, sempre ligado à importância do descuido técnico e (des)intelectual da série B, em jeito de minimizar os danos colaterais. Todavia, existe vida aqui, existe temas a ser debatidos, a questão da adolescência, a importância das primeiras paixões, amizades e rivalidades, a decomposição da Imunidade própria dos jovens. Mais do que a próprio cariz social que se pretendia, Battle Royale é um retrato e um tratado dos adolescentes em geral, sim isso mesmo, sob a capa de um divertido e delirante "banho de sangue". Gritos de misericórdia são constantemente ouvidos, mas nem por isso cumpridos.  

 

Real.: Kinji Fukasaku / Int.: Tatsuya Fujiwara, Aki Maeda, Takeshi Kitano

 

8/10
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publicado por Hugo Gomes às 13:33
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