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1.7.10

O Eclipse do histerismo!

 

Não existe nada para revelar, a Saga Twilight já é um fenómeno cinematográfico, para o bem e para o mal, na primeira hipótese redefine o público feminino com uma relevância impar na box office internacional, porém na negativa, a produção exibe dotes de descaramento hollywoodescos e comerciais que chegam mesmo a ser ofensivos pela sua apresentação num pseudo-romance que reúne vampirismo com fantasia sobrenatural. Depois dos êxitos de Twilight e a sequela musculada (literalmente) de New Moon, eis que surge Eclipse, a terceira estância da saga criada por Stephenie Meyer. Esta sequela promete mais acção, mais efeitos especiais, mais criaturas sobrenaturais e mais enredo, porém mesmo com estes aditivos, o novo filme de David Slade (do curioso Hard Candy e do fracassado 30 Days of Night) ostenta os mesmos defeitos desde que o Twilight se converteu numa mina de ouro, mas o pior ainda estava para vir.

 

 

Em The Twilight Saga – Eclipse, Bella (Kristen Stewart) encontra-se ameaçada por um novo inimigo, enquanto isso a jovem rapariga tem uma escolha a fazer, a sua relação intensa com Edward Cullen (Robert Pattinson) e a promessa de converter-se num vampiro, ou no afecto por Jacob Black (Taylor Lautner) que lhe promete um melhor partido. Escrito por Melissa Rosenberg (a mesma argumentistas dos dois capítulos anteriores), Eclipse se revela tal como os antecessores num péssimo trabalho de coesão entre o suposto romance shakespeariano e do clima fantástico de fulgor épico, o resultado é uma focagem naquilo que podemos classificar de dispensável, além de tudo temos uma centragem nas figuras masculinas como das personagens Black e Cullen, verdadeiros focos para o publico feminino.

 

 

O terceiro filme é dos três o melhor no tratamento dos personagens secundários, aqui ganhando mais relevância para a história central, os bonecos de outrora ostentam uma face, actores e sim, personalidade (nunca pensei que Jasper, desempenhado por Jackson Rathbone, fosse realmente um personagem interessante, mesmo que desperdiçado). Contudo a entrada de novos personagens, que revelam um aprofundamento insuficiente e da óbvia trama amorosa das três estrelas façam que tal façanha se soa malbaratada. Quanto ao trio que capta suspiros e inveja entre os adolescentes histéricos encontram-se com maior abrangência para o drama, Kristen Stewart não é a revelação artística de outrora, mas compensa aqui a melancólica forma em New Moon, Pattinson continua a ser o frio e descolorado actor, enquanto isso Lautner se esforça mas se patenteia um pseudo-actor sem chama. Contamos ainda com as entradas de Bryce Dallas Howard, que substitui Rachelle Lefevre no papel de Victoria, com esta mudança também direccionada pela importância da personagem neste capítulo, oferece uma maior ênfase trágica de contornos antagónicos, não se esqueçam também da entrada de Catalina Moreno Sandino e Xavier Samuel (digno vilão de qualquer filme de terror). Por fim para o bem de muitos cinéfilos após a decepção em New Moon, uma chance de Dakota Fanning brilhar.

 

 

Em termos gráficos, técnicos e sonoros, Eclipse é competente, os efeitos especiais melhoraram em olhos vistos, as sequências de acção são mais inspiradas, a fotografia é mais negra, o mesmo com a realização de Slade, a banda sonora quer orquestral (Howard Shore ajudou e muito) ou BSO são entusiasmantes, a inserção de Muse é significativo. Mas verdade seja dita, este terceiro hype é o pior dos três, tudo porque a história dá asas a uma indigência quase ofensiva, moralmente repreensível e demasiado ousada para o seu rating de maiores de 12. Enquanto os primeiros abordavam as paixões juvenis com certas pitadas de erotismo adolescente, Eclipse se revela na descoberta sexual, com isso tudo bem, mas a sensação de que por vezes a história de Meyer querer seguir um enredo de má novela e se confundir com a poligamia, quer física e intrínseca, fazem com que Eclipse seja algo que merece alguma aprovação por parte das entidades paternais em relação com o publico mais jovem. A resposta para esta essência está nas origens e fé mormon de Stephenie Meyer, não só pelas influências de poligamismo, como também pela pureza de espírito e sexual. Ou seja, a saga Twilight se revela numa pregação de fé da autora sob o disfarce de livro, neste caso de blockbuster, algo que relembra a Cientologia e o seu “fiasco” Battlefield Earth em 2000. A juntar a isto temos um conjunto de maus diálogos de romantismo barato que "ainda por cima" prolongam como discursos semi-políticos, o verdadeiro conflito, aquele sabor épico que prometiam de inicio é posto em segundo plano, a duração é excessiva resultando assim num bocejo para aqueles que não são fãs. Uma saga que desce a nível de interesse e qualidade.

 

Real.: David Slade / Int.: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Billy Burke, Jackson Rathbone, Bryce Dallas Howard, Xavier Samuel, Dakota Fanning, Cameron Bright, Anna Kendrick, Catalina Moreno Sandino

 

 

Ver Também

Twilight (2008)

The Twilight Saga – New Moon (2009)

 

3/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:38
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6 comentários:
De Bea a 2 de Julho de 2010 às 17:29
Meyer. É Stephenie Meyer. Caramba, nunca ninguém sabe escrever o nome da senhora. Uns é Stephanie, outros é Meyers, isto é uma alegria! -.-


De Maria Inês a 13 de Julho de 2010 às 12:51
Este gasto de fita cinematográfica é, literalmente, o eclipsar do bom cinema.


De Gustavo a 15 de Julho de 2010 às 22:36
O que tenho para dizer é simplesmente ... horrivel, dos piores filmes que fui ver ao cinema, nem sei como as gajas gostam disto, é tão futil e falso, além de ser aborrecido.


De LauraSC a 17 de Julho de 2010 às 01:00
Será que vai haver algum filme da saga que seja minimamente satisfatório? Não me parece, visto que a sra. Melissa Rosenberg pretende fazer um (ou dois, neste caso) Amanhecer para maiores de 13, ou seja, vai ser a mesma "seca" de sempre. Eu que sou vá, digamos fã dos livros, já não espero grande coisa em termos de filmes. Um livro com a densidade emocional como o Amanhecer, com os discursos pirosos de novelas da TVI, vai ser coisa linda vai..


De João M. a 21 de Julho de 2010 às 01:55
fui arrastado outra vez pela minha xavala, os filmes são maus como tudo, o que valeu é k este tinha um pouco mais de acção, ou se não adormecia mesmo


De Carlittos a 25 de Julho de 2010 às 01:05
K tanga de film ...


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10/10 - Magnífico
9/10 - Imprescindível
8/10 - Bom
7/10 - Interessante
6/10 - Razoável
5/10 - Medíocre
4/10 - Muito Fraco
3/10 - Mau
2/10 - Péssimo
1/10 - De Fugir
0/10 - Nulidade
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