Pérsia Antiga falada em inglês!
Para todos aqueles que passam grande parte da vida em frente á televisão a jogar a sua consola, as adaptações cinematográficas de videojogos nunca são aprovados nos testes dos fãs. Reduzidos a obras de baixa qualidade e crença cinematográfica, tudo isso se resume numa fraca aposta dos estúdios em tais subgéneros, sendo que a trilogia (brevemente quadrilogia) Resident Evil seja exemplo de uma desmistificação do videojogo e entrada no directivo cinematográfico. È por isso que Prince of Persia – The Sands of Times seja visto com um pé atrás, mesmo que o realizador seja o mesmo de Four Weddings and a Funeral (1994).
Baseado num jogo de perícia criado por Jordan Mechner no final dos anos 80, o culto The Prince of the Persia sempre se seguiu ao fim de vários anos, até que em 2003 surge a sequela The Sand of Times, um bem elegido jogo de perícia e aventura, com excitantes gráficos e novos panoramas de jogabilidade. Logo cedo, o produtor executivo Jerry Bruckheimer adquire os direitos e em 2010 que estreia aquela que promete ser a primeira de muitas aventuras de Dastan (Jake Gylenhaal) numa Pérsia antiga e mitológica. Príncipe adoptivo, Dastan se torna alvo de um golpe de sucessão de trono, interligado por uma lenda antiga e uma adaga mágica. Assim sendo o nosso herói alia-se á bela princesa Tamina (Gemma Arterton) numa jornada no intuito de evitar um caos apocalíptico.
Recorrendo as mais gastas, mas vistosas fórmulas de um qualquer blockbuster, The Prince of Persia tenta de certa forma induzir como o novo “Pirate of the Caribbeans”, sendo que o estúdio (Walt Disney) e produtor são os mesmos. Mike Newell (realizador) já se encontra habituado às grandes produções após Harry Potter and the Goblet of Fire (para muitos o melhor da saga), sentindo-se á vontade na condução de uma narrativa dependente de efeitos especiais e dos momentos cómicos. Mesmo não tendo o mesmo carisma dos piratas que se tenta vender, The Prince of the Persia funciona como um entretenimento leve, visualmente cativante, mas gasto e cansativo. As coreografias são ricas, as cenas de acrobacia são um espanto para o olhar, a acção é vistosa, mesmo adjectivo se aplica aos cenários.
A grande fraqueza desta aventura na Persia antiga encontra-se no linear das personagens e na sua capacidade de transmitir na dramatização dos mesmos, o argumento é constituído pela mesma formula de sempre, pelos requisitos do jogo e pela trapalhona pretensiosismo hollywoodesco que não arrisca e não petisca, os desempenhos são por sua vez agradáveis, Gemma Arterton prova aqui nesta fita que é mais que uma Megan Fox (fazendo-nos esquecer do erro de Clash of the Titans), Jake Gylenhaal, escolhido pela sua aparência idêntica ao personagem de Dastan, aguenta a pedalada física de herói de acção, mas não esperem o seu melhor registo. Ben Kingsley é o vilão de serviço, em modo automático, como nos tem habituado ultimamente o galardoado actor de Gandhi, Alfred Molina encontra-se hilariante e bem carismático, palmas para o desconhecido Steve Toussaint como seu sidekick desequilibrado, mas que chega a tempo para trazer alguma simpatia. Richard Coyle (The Good Year, Franklyn) e Toby Kebbell (Rockn’Rolla) se destacam também na positiva.
Neste inicio de Verão que se tem tornando desapontante em termos de blockbusters, sendo Kick Ass o detentor do premio de entretenimento de massas do ano, The Prince of the Persia pode muito bem ser a aposta refrescante, só que lufada de ar fresco não é bem o termo a utilizar. Filme pipoca visualmente arrebatador, e sem duvidas nenhumas, a melhor conversão de um videojogo para o grande ecrã desde Silent Hill e Resident Evil.
Real.: Mike Newell / Int.: Jake Gylenhaal, Gemma Arterton, Ben Kingsley, Alfred Molina, Richard Coyle, Toby Kebbell, Steve Toussaint
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