Isolados, mas motivados!
Falemos de duas coisas distintas mas que de certa forma se cruzaram; a primeira ocupação do Líbano em 1982 e Samuel Maoz, realizador e argumentista que viveu na pele os conflitos da Guerra como artilheiro de um tanque. Maoz completou os seus estudos de cinema na Beit Zvi Academy of the Arts em 1987, cinco anos depois de ter arrebentando primeira Guerra, foram preciso cerca de 20 anos para o autor decidisse regressar ao campo de batalha, não literalmente, através deste Líbano (2009), um olhar limitado sobre o conflito por uma esquadra de secção confinado a um tanque.
Recorrendo a técnicas de narrativa directa como um mockumentario se tratasse, neste caso a câmara é substituída pela mira, Líbano se contende com um clima claustrofóbico, inconstante e sobretudo humano, onde a nossa esquadra, composta por quatro homens incluindo o heterónimo de Maoz, se debate com os horrores da guerra e do equívoco dos mesmos, sentindo muitas vezes como seres inaptos no lugar errado. E é sob a negrura da ignorância narrativa, o espectador sabe o mesmo que as suas personagens, a fita se desperta com um drama fechado de recinto, mas solto em sentimentos, em consolidação com um elenco fantástico, hiper-realista de caras desconhecidas.
A par de Waltz With Bashir (Ari Folman, 2008), Líbano é a confirmação de que o cinema israelita se jogou para a própria auto-critica e o olhar profundo dos seus próprios conflitos, com filmes de guerra assim, a memória daqueles tempos difíceis são mantidos vivos e com todo o esplendor. Líbano foi distinguido no último festival de Veneza com um Leão de Ouro, e digo já que foi merecido, pena que a estreia nacional não correspondeu á qualidade do mesmo.
Real.: Samuel Maoz / Int.: Reymond Amsalem, Ashraf Barhom, Oshri Cohen
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