Real.: Ron Clements, John Musker
Int.: Anika Noni Rose, Bruno Campos, Oprah Winfrey, Terrence Howard
Quando a Disney anunciou algures em 2004 com a passagem de Home on the Range (Will Finn, John Sanford) nas salas de cinema, de que as animações de veias clássicas iriam tornar-se obsoletas por parte do estúdio. Sendo assim a já referida aposta de 2004, o irreverente Home on the Range se tornou no último dos clássicos, mesmo com uma vastidão de críticas que apontavam como uma venda intrínseca á ousada forma da Dreamworks, depois de tal acto, estrearam filme como Chicken Little (2005), Wild (2006) e Bolt (2008), três filmes de uma Disney digital, porém ofuscadas pela soberania dos outros grandes estúdios animados nomeadamente o na altura estafeta Pixar de John Lasseter. O produtor, como também realizador, decide então comprar o centenário ateliê e com isso a opção do regresso às origens o qual este The Princess and the Frog marca, porém ao mesmo tempo dá um “gostoso” sabor a inovação e criatividade.
Na cadeira de realizador encontra-se a dupla Ron Clements e John Musker, alguns dos responsáveis por outros clássicos animados do estúdio como The Little Mermaid e Alladin, dirigem assim esta incursão contemporânea e etnicamente divergente do clássico de Ed Baker, A Princesa e o Sapo, girando á volta da mágica premissa do eterno beijo de uma princesa e um sapo, assim convertendo o batráquio num majestoso príncipe. Este conto de fadas é aqui ambientando numa Nova Orleães dos anos 20, o jazz se figurava como banda sonora e os pântanos do rio Mississípi como paisagem. The Princess and the Frog remete-nos a uma bela jovem sonhadora, Tiana (Anika Noni Rose) que por equívoco é submetida a uma maldição quando tenta beijar um sapo, que por sinal é um príncipe transformado na criatura por vias de voodoo.
Após 49 filmes concebidos pelo estúdio fundado pelo Walt Disney, esta é a primeira em que surge a nós uma protagonista afro-americana, um dos registos da nova fase da Disney, a emancipação de qualquer fidelidade étnica ou religiosa, que fundou serias críticas á colecção de animações do estúdio. A comédia aguçada e bastante física advém da irreverência das animações de hoje, The Princess and the Frog segue tal ritmo, mas é na sua antiguidade que o torna num objecto admirável. Uma beleza visual artesanal e o regresso do musical, que fora abandonada pela Disney nos em meados nos anos 2000, remete a nova aposta do estúdio Disney a entrar “forçadamente” no catálogo clássico. As boas intenções estão lá e a competência aos vários níveis técnicos, sonoros e descritivos o tornam delicioso e encantador quanto ao seu legado.
Caindo no desuso ou não, The Princess and the Frog é a animação que queremos gostar á força, e mostrar tais sentimentos para com ele não é indigno, mas a garra deste o torna na sua maior fraqueza, sendo que a história é muitas vezes sacrificada às canções, que por sua vez não ficam no ouvido, infelizmente, algumas personagens são desnecessárias e sem graça. Porem o elenco vocal é formidável, destacando Bruno Campos na personagem Naveen e também podemos contar com um vilão de peso, The Shadowman (Keith David), relembrando o melhor de um formidável legado de 80 anos de forças antagónicas desde a Bruxa Malvada da obra-prima Branca de Neve e os Sete Anões. Com A Princesa e o Sapo é diversão garantida e nostálgica, aquece mas não fica no coração, creio eu que ainda é cedo para se denominar de clássico Disney, mas peço graças que seja, sendo assim não escondendo um pouco de desapontamento.
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