Real.: Shawn Levy
Int.: Steve Carrell, Tina Fey, Mark Wahlberg, Ray Liota, William Fichtner, James Franco, Taraji P. Henson
Em 1985, Martin Scorsese compôs graças a um argumento da autoria de Joseph Minion, um dos mais excêntricos e originais filmes norte-americanos do seu tempo, After Hours que conta com um Griffin Dunne como protagonista, que vive um pesadelo de contornos cómicos e labirínticos numa simples noite em Nova Iorque, perante as situações que ocorrem sem descanso, grita para o céu irado culpando Deus pela “trapalhada” que havia metido. Depois de Scorsese vencer o prémio de Melhor Realizador no Festival de Cannes, foram inúmeros os filmes que utilizaram com exaustão essa temática carroleana, característicos pela composição estrutural de situações que roçam a surrealidade, tudo isso decorrido num curto espaço temporal. The Hangover de Todd Philips, a comédia de 2009, explorou a mesma metamorfose, porém estreia nas nossas salas Date Night de Shaw Levy que recorre a tais métodos.
A fita assume-se numa troca de identidades quando um casal cansado decide programar uma noite diferente das outras, por isso resolvem jantar numa marisqueira bem concorrida em Nova Iorque, mas como não tinham reserva perante uma casa tão cheia, tomam uns lugares reservados, sendo que os reservadores não se encontravam no estabelecimento. A romântica refeição é interrompida, quando ambos são abordados por dois homens armados que os confundem com as pessoas da dita mesa. Daí adiante a noite se torna atribulada, tal como o título traduzido indica. Shawn Levy, já acostumado ao registo de comédias, sob o argumento de Josh Klausner (Shrek, The Third), encontra aqui uma fórmula de sucesso, porém tal factor justifica com o par de protagonistas.
Steve Carrell (o eterno Virgem aos 40) e Tina Fey (da série 30 Rock) apresentam uma química avassaladora, que compensam as lacunas deixadas num filme tão falsamente inspirado e “despido” de graça. Os gags são relevantes, ora resultam, ora falham redondamente nesta antologia ao conceito de Carroll, mas aí está, os dois actores conseguem corrigir, utilizando o simples método do ego cómico de ambos. O elenco é recheado de estrelas, sendo elas, Ray Liota num papel de mafioso, William Fichtner como um corrupto político, essencial na trama, Mark Wahlberg sem grande mossa e uma desperdiçada e estereotipada Taraji P. Henson, no elenco secundário, somente James Franco inspira carisma. Admito que me diverti o bastante no visionamento, todavia não encontro grandes virtudes na física comédia de Levy, sou da opinião que depois de The Hangover de Todd Phillips, as comédias norte-americanas mainstream nunca mais serão as mesmas. A Nova Iorque de Shawn Levy é infelizmente não apresenta a mesma vitalidade que a de Scorsese. Fiquemos por isto, não existe mais sumo neste filão.
Arquivo de Criticas
Outras Categorias
Sites de Cinema
CineCartaz Publico