Data
Título
Take
24.4.10
24.4.10

Real.: Chan-wook Parl

Int.: Kang-ho Song, Ok-vin Kim, Hae-sook Kim

 

 

Os Vampiros, tal raça imaginária que se encontra presente na sociedade de hoje, parece ser uma moda para ficar nos últimos anos. Tal ressurreição deriva obviamente da febre “Twilight” cuja massa adolescente segue com uma crença quase religiosa. Devido a isso, são muitos os outros projectos que constituem como oportunistas perante tais contos de Stephenie Meyer e o seu alcançável sucesso, nessa vasta gama de produtos vampíricos, chegamos a assistir alguns exemplares interessantes trazidos, não por Hollywood e os seus adornos, mas por países mais discretos, como a Suécia e o seu magistral Let The Right One In de Tomas Alfredson, contudo existe é a invulgar e insólita incursão do género, Thirst de Chan-wook Park vindo directamente da Coreia do Sul, que demonstra que existem formulas que bem “espremidas” ainda podem extrair um tocante “suco”, neste caso num tipo de cinema que é explorado com uma exaustão incansável, o autor coreano renega os clichés e contorna saudavelmente as linhas guias do género.

 

 

Park será relembrado para a posteridade como o fundamentalista da trilogia Vengeance (Vingança), o qual integra Oldboy (2003) como sua melhor obra, num conjunto de filme que se apresentam com uma arquitectada ou engenhosa intriga que promove o esporádico da narrativa elaborada, a vingança como centro de tema. O autor coreano se expressa pela linguagem corporal que se complemente a retratar um quadro vivo e da violência gráfica e psicologia que se completa com a ousadia e o intimidismo do realizador, Thirst não foge á regra em tal caso. Apresentado na última edição do Fantasporto, a fita nos remete a polémica história de um padre que se converte num pecador extremo. Tudo começa quando o sacerdote Sang-hyeon (Kang-ho Dong) se torna numa cobaia humana de uma investigação de cura para um vírus mortal. Sendo portador de tal patologia, este acaba por falecer quando recebe uma transfusão de sangue, cuja fonte é desconhecida, mas ressuscita no dia seguinte, apresentando habilidades sobre-humanas e uma sede tremenda por sangue. Não é preciso ser um génio para identificar que Sang-hyeon havia convertido num vampiro. Assim sendo o padre renega os seus votos e inicia uma vida cheia de luxúria, violência e pecado.

 

 

Thirst possui um teor erótico esteticamente brutal e audacioso, uma competência técnica que capta a beleza natural dos planos de Park e actores de alto calibre, incluindo Kang-ho Song (The Host) e a versátil e chamativa Ok-bin Kim. Chan-wook Park exibe mais uma vez aqui que é um homem cuidadoso e delicado com a subtileza da estrutura narrativa, fluente em sequências de tamanha obscuridade como de belas, no geral pode muito bem ser o facto de estarmos perante no filme mais belo do ano 2009. O único “pecado” da película que celebra a sincronização corporal é a inserção de sequências deveras dispensáveis para a trama, que se auto-proclamam como simbolismo estético, mas que nada servem do que ser utensílios de prolongação da duração.

 

 

Thirst – Este é o Meu Sangue transforma o vampiro, que outrora era desmitificado como uma fantasia em vias de exploração sexual se revela num heterónimo dos portadores de HIV, num problema social que se encrava no desequilíbrio da mesma, a sede de sangue é porém apresentada como a dependência das drogas, o caminho de sentido único que muitos tentam evitar e outros caiem na tentação, ou seja Park vê naquelas de aparência humana e com dentes aguçados para cravar no pescoço de qualquer um, um reflexo de uma humanidade doente, dependente e desrespeitosa. A imagem do vampiro é muito mais que fantasia, é a critica que a censura não cala.  Uma fita riquíssima que não deixará ninguém indiferente, Park volta a surpreender e a redefinir o vampiro para o século XXI.

 

8/10
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publicado por Hugo Gomes às 13:47
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