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4.4.10

Blockbuster do inicio dos 80!

 

Com a passagem de Jaws (1975) de Steven Spielberg, surge aquilo que denominamos de produções para massas ou do estrangeiro “blockbusters”, hoje fonte vital do rendimento cinematográfico, que outrora algo foi encarado como um case study. Depois de o tubarão apavorar regiões costeiras de todo o mundo, quebrando recordes de bilheteira naquele quente Verão de 75 e originando um hype bem sucedido, entram em cena Superman (Richard Donner, 1978) e Star Wars (George Lucas, 1977) que fortalecem essa nova vaga de cinema. Porém o conceito de blockbuster não difere muito do estilo épico dos "grandes clássicos", mas sim da maneira em que são produzidos tais fitas, apresentando características que possam agradar todo a vasta gama de espectadores. Um dos factores desse mesmo estilo cinematográfico é de não apresentar tempos mortos, e se usam é para demonstrar os avanços tecnológicos como espectáculos de feira, a mise-en-scené é reduzida ou praticamente nula e toda a narrativa dos ditos blockbusters deriva do mainstream, uma básica evolução histórica e da solidez das suas personagens. Contudo os blockbusters poderão se caracterizar como estrondosos êxitos de bilheteira, todavia seguido tal forma, fitas como Gone With The Wind (Victor Fleming, 1939) e Ben-Hur (William Wyker, 1959) poderiam ser incluídas nesse termo, nos dias de hoje o conceito de “arrasa-bilheteiras” consiste na sua relação orçamento / rendimento, e na grande aposta do marketing em redor da película. Aliás é o marketing que define o blockbuster.

 

 

Em 1981, estreou entre nós uma fita de teor épico, com influências do subgénero peplum (também denominado por sword & sandals) vindo directamente dos recantos da série Z italiana. Contudo este blockbuster contrariou a brisa da sofisticação das grandes produções cinematográficas que se fazia sentir no momento, o tal filme é intitulado de Clash of Titans, e é nada mais, nada menos que uma distorcida reconstituição de uma fábula grega, a história de Perseus, um herói que desafia os deuses e enfrenta a temível Medusa e o colossal Kraken, dois dos últimos titãs da Terra. Desmond Davis (realizador) e o argumentista Beverley Cross combinam aqui as suas forças para trazer esta lenda mitologia à grande tela, mas a sua concepção é antiquada, algo como obsoleto, quer nos dias de hoje, quer na época que foi concretizado. Os efeitos especiais que sofrem uma rápida evolução no inicio dos anos 80, muito graças à influência de Spielberg e Lucas, são renegados por uma pratica quase rudimentar de stop-motion (na recriação das criaturas e outros, visionados por Ray Harryhausen que tem aqui o seu ultimo filme) e na fragmentação e sobreposição de planos que criam assim por exemplo, um cavalo alado a voar num céu azul ou um modelo stop-motion entre uma multidão de actores reais. Na sua concepção, Clash of Titans relembra a obra-prima de The Thief of Bagdad (1924) ou Jason and the Argonauts (1963), dois exemplos de épicos inovadores no requerimento dos efeitos visuais e sonoros, assim sendo a fita de Desmond Davis é corajosa e arrojada.

 

 

Quanto à sua estrutura dramática e narrativa, chegando muitas vezes a roçar a poesia teológica, Clash of Titans não é nenhum Satyricon de Federico Fellini, não conseguindo reproduzir o intrínseco da cultura grega e do mito. Tudo aquilo que é representado na duração de 118 minutos de filme é nada mais, nada menos que pura homéricidade hollywoodesca, e não na sua melhor forma. No geral, sendo tratado com alguma leveza, Clash of Titans é um filme competente a nível técnico, cénico e interpretativo, tendo o “grandiosoLaurence Olivier na pele de Zeus, Jack Gwillim no pequeno papel de Poseidon (deus dos mares), Maggie Smith (viria a torna-se celebre na saga Harry Potter) na maliciosa deusa dos mares, Tetis, Burgess Meredith como Ammons, Neil McCarthy se converte no trágico Calibos (personagem reduzida a vilão de serviço nesta produção) e por fim Perseus é desempenhado por Harry Hamlin (com mais semelhanças a Luke Skywalker do que a um herói grego).

 

 

Uma aventura clássica de Hollywood, que não deslumbra nem sequer nos dias de hoje, nem na época que foi filmado, porém é sim, uma nostalgia ao mais primitivo do cinema fantástica. Destacado por ter sido o ultimo filme produzido por Charles H. Schneer, produtor de inúmeras fitas de Sinbad e de Jason and the Argonauts.

 

"Find, and fulfill your destiny!"

 

Real.: Desmond Davis / Int.: Harry hamlin, Laurence Olivier, Maggie Smith, Neil McCarthy, Burgess Meredith, Jack Gwillim

 

 

 

A não perder – para ver antes do remake musculado de Louis Leterrier

 

O melhor – a ousadia em presentear o espectador com stop-motion enquanto o mundo piscava os olhos às mais avançadas técnicas trazidas pelos filmes de George Lucas e Steven Spielberg

O pior – é obsoleto mesmo para sua época

 

Recomendações – Jason and the Argonauts (1963), Satyricon (1969), The Thief of Bagdad (1924)

 

6/10
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publicado por Hugo Gomes às 19:11
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