Data
Título
Take
1.4.10

Mel Gibson – um Homem em estado de fúria!

 

Martin Campbell poderá ser confundido como um magistral artesão do cinema de acção graças aos seus inspirados trabalhos em The Mask of Zorro (1998) e na interessante incursão de um velho e celebre personagem de Ian Fleming (007) em Casino Royale (2006), motivo suficiente para utilizar o nome do realizador como um dos atractivos para o regresso de Mel Gibson ao cinema após sete anos desde The Singing Detective de Keith Gordon, produzido em 2003 (e não, as suas mãos em The Passion of the Christ não contam para o seu registo artístico).

 

 

O actor consagrado por Braveheart veste a pele de Thomas Craven, um federal da Brigada da Policia de Homicídios que se vê envolvido numa trama de conspiração de proporções mundiais, porém o motivo da sua entrada neste complexo caso de corrupção, negligencia e ilegalidade deriva da trágica morte da sua filha (Bojana Novakovic), uma estagiaria de um central nuclear, obviamente abatida por saber demais sobre o elusivo sistema da sua empresa. A intriga de Edge of Darkness é baseada na série de culto da BBC escrita por Troy Kennedy-Martin, que foi para o ar em 1985, protagonizado por Bob Peck, alguns episódios foram mesmo dirigidos pelo próprio Campbell, o que indica uma certa habituação á matéria-prima por parte do autor, porém esta fita de acção encontra-se mais perto do recente Taken de Pierre Morel do que a “antiguinha” série da BBC.

 

 

Assim sendo vemos Mel Gibson novamente como um policia vigilante, desta vez sem motas da morte, mas sim munido com o seu revolver e reflexos rápidos e imaculados, um herói completo relembrando os velhos tempos, mais concretamente os anos 90 onde tal subgénero se fazia sentir. O actor encontra-se em piloto automático, o suficiente para agradar os fãs, sendo desta forma a marca do melhor regresso do seu ego, o retorno do Braveheart ou Mad Max se assim quiserem chamar. Se Gibson voltou naquilo que estamos habituados e que sabe tão bem fazer, esta passagem pelo género da acção de consequências não é o mais feliz, muito devido a um hábil gosto em tecer uma complexa intriga, mas que no final não se entrega na totalidade, escolhendo seguir caminhos fáceis, preguiçosos, deixando para trás algumas pontas soltas e aresta por limar que contrariam a corrente da própria narrativa, por sua vez com queda para fragmentação e argumento.

 

 

A inserção da personagem secundária de Ray Winston define tal facilitismo, dispensável e espaçoso é aquilo que o decreta, construída por pseudo-filosofias que nada acrescentam á história sem lhe dar um toque mais fantasioso. Danny Huston mesmo sem grande esforço consegue caracterizar um vilão fácil de odiar, o exemplo capitalista da hipocrisia humana, o actor de 30 Days of Night de David Slade ou Wolverine de Gavin Hood encontra-se com o ego intacto, mas nem por isso negável. Edge of Darkness poderá se resumir como uma resposta norte-americana do sucesso do francês Taken, protagonizado por Liam Neeson, naquela que é a ressurreição do puro género de acção dos anos 80 e 90. Tendo mais olhos que barriga, a nova fita de Martin Campbell, longe do energético modelo que Hollywood nos está a habituar, é um filme de resultados minimamente satisfatórios … sublinhando minimamente.

 

Real.: Martin Campbell

Int.: Mel Gibson, Bojana Novakovic, Danny Huston, Ray Winston

 

 

 

A não perder – o regresso de Gibson

 

O melhor – o suspense inicial de uma intriga que prometia

O pior – não saber entregar totalmente á sua trama

 

Recomendações – Man on Fire (2003), Taken (2008), Death Wish (1974)

 

Ver Também

Taken (2008)

 

5/10
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publicado por Hugo Gomes às 00:28
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1 comentário:
De Nekas a 1 de Abril de 2010 às 20:38
Logo desde o início, filme-pipoca, filme cliché, filme estereotipado!

Só Winstone, mais nada!

Abraço
Cinema as my World (http://www.nekascw.blogspot.com/)


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