Na tentativa de ser um filme sério!
Com a nova decisão de submeter a categoria de Melhor Filme dos Óscares com 10 nomeados, abriu oportunidades de muitas obras outsiders dos parâmetros da Academia, mas aclamados a nível de público e critica integrarem na tão cobiçada lista, o exemplo de District 9 de Neil Blomkamp, um filme que no caso do velho modelo dos cinco indicados não encontraria espaço para inteirar. Outro exemplo é o A Serious Man, a nova obra dos irmãos Coen, realizada e escrita pela fraternidade cinematográfica mais conhecida desde os Lumieres, é uma visão satírica e irónica no seio da comunidade judaica norte-americana dos anos 60, a historia segue-nos um professor de física que segue uma vida honesta e seguida á risca pelas leis da moralidade, porém vive em plena crise existencial, a sua mulher pede-lhe o divorcio para poder casar com um grande amigo seu, os seus filhos tem problemas quer na escola, quer de intrinsidade, o seu irmão doente vive á deriva no seu sofá, o professor é acusado de ter aceitado dinheiro de um aluno para aprovação e o nosso protagonista vive de desejos pela vizinha do lado, portanto tudo se resume numa serie de desgraças, todas elas levam a consequências ainda mais graves que fazem pensar o quanto trocista é a própria vida. O desconhecido Michael Stuhlbarg, muito conhecido nos palcos nova-iorquinos, veste a pele de um personagem inseguro e cheio de tiques, que remete-nos a um sólida prestação e revelação cinematográfica, pena que tal brilho não chegou aos cantos da Academia para uma inevitável nomeação ao Óscar. Outro excelente de desempenho é o de Fred Melamed como o”homem sério”, estatuto esse, que a personagem Michael Stuhlbarg sempre anseia obter. Tirando esses dois actores, o resto do elenco não brilha chegando mesmo a combinar algumas prestações bastante incrediveis e insatisfatórias, mas os Coen dão um jeito e conseguem recriar algumas cenas memoráveis como o bar mitzvah, a cena do charro ou até mesmo a detenção do walkman, sequencias bem sucedidas graças a uma experiencia semi-autobiográfica segundo os autores. Mas afinal onde é que o filme falha? Mesmo sentindo a alma dos irmãos em toda a narrativa, somos obrigados a negar a sua coerência: uma abertura que reconstitui uma famosa historia de folclore da religião judaica, todavia onde encontra-se tal sequencia no meio da historia, o inevitável sindroma dos cliffhangers que contraíram no oscarizado No Country For Old Men encontra-se presente, e pior situado num dos pontos clímax de interesse de toda a historia, a narrativa cede a uma surrealismo social e toda aquela critica a lá American Beauty é reposta por uma sensação de dizer muito e no enfim chegar a nada. Vindo dos irmãos é uma decepção, mas mesmo assim nos remete ao talento da dupla quer na realização e no argumento e na revelação que é o actor Michael Stuhlbarg, espero que Hollywood mantenha os olhos nele.
Real.: Joel Coen, Ethan Coen
Int.: Michael Stuhlbarg, Fred Melamed, Sari Lennick, Richard Kind,
Imagens
A não perder – é um filme dos Coen mesmo assim
O melhor – o actor revelação
O pior – a visão satírica dissipa-se e dá lugar a um filme “arty” sem muito para dizer
Recomendações – American Beauty (1999), Ladykillers (2004), Burn After Reading (2008)

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