Puritanos e Bárbaros
Por entre a peste negra, bruxaria, religião e devastação nasce um herói improvável – Solomon Kane – um anterior mercenário agora convertido num homem de bem com intuito de redimir sua alma após saber que esta se encontra marcada no Inferno. Solomon Kane segue então a sua jornada para combater as forças do temível feiticeiro Malachi (Jason Flemyng) que ameaça destruir o mundo conhecido e capturar de vez a alma do nosso herói.
Adaptação de uma série de histórias escritas pelo mestre da literatura pulp Robert E. Howard (Conan, The Barbarian), Solomon Kane é uma negra e bem conseguida gótica fabula da eterna luta entre o bem e o mal, onde remete o espectador a um herói de contornos religiosos e de padecimento, desempenhado por James Purefoy (com um talento "quase" semelhante a de um Hugh Jackman) que consegue aqui transcrever um personagem fortemente carismático. Trata-se de um produção ligeira que nos garante em duas horas uma diversão mais adulta que a maioria das apostas deste Verão, com doses generosas de sangue e carnificina em envolvência com uma mitologia profana anglo-saxónica, totalmente evidenciado na caracterização dos arqui-inimigos de Solomon, entre eles um cavaleiro mascarado com sérias semelhantes com um grupo de música metal.
Porém é verdade que esta incursão religiosa não é perfeita, a meio de duração a fita perde um certo "gás" rítmico, os clichés acumulam-se antecipando o desfecho e o elenco secundário constrói personagens demasiadamente descartáveis para a narrativa. Mas em compensação, Michael J. Bassett invocar um certo sentimento de responsabilidade no seu herói, cingido em simbolismo, que enriquece a fita e assim sendo nasce uma noção de espectacularidade que se não fica dependente dos efeitos visuais. Por fim devo mencionar que a fotografia e a banda sonora são certeiras nesta atmosfera algo mística. Solomon Kane é assim, o inicio de uma trilogia, um arranque agradável que constitui assim uma bela surpresa no seu campo de simples entretenimento descartável.
“There are many paths to redemption, not all of them peaceful”
Real.: Michael J. Bassett / Int.: James Purefoy, Rachel Hurd-Wood, Max von Sydow, Peter Postlethwaite, Jason Flemyng
A não perder – um pequeno e agradável filme de aventuras!
O melhor – O visual e as cenas “oldschool” de espadachins
O pior – personagens descartáveis e alguma previsibilidade
Recomendações – Van Helsing (2004), Hellboy (2004), Ghost Rider (2007)
Ver Outras Fontes
Split Screen – Solomon Kane, por Tiago Ramos
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