Factor humano!
Em 2004, o desporto rei invocou no povo português, sentimentos de patriotismo, há muito que pareciam esquecidos, porém apesar de não termos vencido o Euro 2004 na modalidade de futebol, o evento ficou marcado na nossa Historia por um movimento sincronizado de patriotismo e crença na nossa nação, 14 anos antes foi a vez do rubgy, resultado de uma manobra política por parte do presidente da África do Sul, Nelson Mandela, em unir um povo em conflito. Como fazendo isso? Vencendo o Campeonato de Rugby em 1995, levando o país á glória e pondo de parte as diferenças, o ódio e os ideais de cada um, brancos ou pretos, apenas existe uma etnia – os sul-africanos, neste caso os apelidados “Springbokes”. Nelson Mandela projectou este feito, esta manobra politica que resultou no destino da sua nação e Clint Eastwood foi o homem encarregue de reconstruir a luz divina que brilhou naquele tempo.
Inicialmente rodado sob o nome de The Human Factor, Invictus é um grande passo para Eastwood em descolar de si próprio das histórias simplicistas que era conhecido, porém como acontece nos seus filmes mais complexos, o realizador parece não sentir a vontade numa grande responsabilidade e numa alargada visão que assistimos neste pedaço de vida de Mandela. Porém Invictus transpira a uma fórmula classicista e sempre glorificada pela essência do mesmo, Eastwood é um perfeito contador de histórias e no que requer á dimensão humana consegue transmiti-la, neste caso á figura de Mandela aqui representando por Morgan Freeman, que limita-se a mimetiza a imagem do Nobel da Paz e a oferecer outro tipo de desempenho longe da imagem do Detective Sommerset da obra-prima do cinema policial, Se7en de David Fincher. Matt Damon encontra-se na pele de um messias, o capitão da equipa sul-africana, François Pienaar, que para além de exibir o seu musculado porte ainda patenteia a sua camaleonica expressão como actor. Ambos os actores (Freeman e Damon) encontram-se nomeadas aos Óscares nas categorias de interpretação, porém no caso de Damon foi um exagero de ultima hora, já que no mesmo ano nos brinda com uma prestação mais metamórfica que foi no esquecido filme de Steven Soderbergh, The Informant!.
Invictus é na maior das hipóteses, um típico filme desporto anexado com o previsível slow motion final (neste caso chega a ser mesmo irritante) com uma óbvia e clara dimensão e emoção que só o veterano cineasta podia nos dar, porém é a obra mais fraca da sua filmografia desde Flag of our Fathers. Destaque também para Scott Eastwood, filho do realizador / actor que tem aqui um pequeno papel como um dos “springboks” africanos.
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul
I am the master of my fate
I am the captain of my soul.
Real.: Clint Eastwood
Int.: Morgan Freeman, Matt Damon, Tony Kgorogoro, Scott Eastwood
A não perder – a influência do desporto na política de um país
O melhor – Morgan Freeman como Nelson Mandela
O pior – a longa sequência de slow motion no final do filme
Recomendações – Goodbye Bafana (2007), Victory (1981), Chariots of Fire (1981)
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Goodbye Bafana (2007)
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