Um filme singular!
Julgava eu que filmes como A Single Man não despertariam interesse no espectador menos informado de cinema, que seria literalmente abafado pelo mais recente produto de fogo-de-artifício que é o remake de The Wolfman, que estreia na mesma semana com esta obra singular. Porém é surpresa minha, quando deparo com uma sala cheia, ou duas umas, são aficionados pela moda que tiveram a indicação que A Single Man é a primeira “peça” cinematográfica realizada por Tom Ford, um conceituado designer de moda, ou simplesmente estavam lá para ver o magnifico perfomance de Colin Firth, que se encontra entre os nomeados ao Óscar de interpretação masculina deste ano.
Da minha parte, a razão foi a ultima, porém a surpresa encontrou-se no toque estilístico e delicado de Tom Ford que aspirou aos grandes cineastas do nosso tempo, obviamente nada disto funcionaria se não fosse Colin Firth, a encontrar-se em excelente forma sob a pele de um professor universitário que planeia viver o ultimo dia da sua vida em derivação á trágica morte do seu companheiro, o amor que mantinha á 16 anos. Porém esse dia derradeiro se torna num motim de experiencias que reflectem na personagem de Firth, uma luz para um recomeço, tudo terminando na cauda ironica do destino.
Baseado numa obra literária de Christopher Isherwood, que segundo Tom Ford foi um livro marcante de sua juventude, eis um ensaio simbiótico de um excelente actor, por vezes subvalorizado em inúmeras comedias românticas britânicas, em A Single Man, Colin Firth mostra emoção, solidez e uma excelente concubinato a esta historia ocorrida nos anos 60. Tal facto também se transmite na fotografia, onde por decisão de Tom Ford corre uma veia tecnicolor que adiciona mais contraste sempre que a personagem de Firth mantém contacto com outro ser humano. Caso na ausência destas, a imagem fílmica de converta a uma melancolia predominada de tons de cinzentos. Manobra inteligente e espiritual de um designer que se converta num cineasta sensível e bastante intrínseca, sendo isso uma revelação neste ramo.
Apesar de Firth ofuscar o resto do elenco, ainda podemos contar com uma Julianne Moore corajosa em rebelar com o envelhecimento, mais uma personagem frágil desta grandiosa actriz e Nicholas Hoult, conhecido como o “rapazinho” de About a Boy de Chris Weisz (também ele produtor desta fita), obtém uma óptima prestação, o mesmo se pode dizer do apagado Matthew Goode em Watchmen, aqui com maior espaço para brilhar. Até agora é a surpresa cinematográfica do ano.
Real.: Tom Ford
Int.: Colin Firth, Julianne Moore, Matthew Goode, Nicholas Hoult
A não perder – um magnifico actor e uma revelação como realizador.
O melhor – a surpresa que se encontra na cadeira de realizador
O pior – ser catalogado como filme homossexual num futuro não tão distante
Recomendações – Capote (2005), Revolutionary Road (2008), American Beauty (1999)
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