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18.2.10

Lon Chaney Jr. não está só.

 

Lobisomens, homens-lobos, licantropos … criaturas meio humanas, meio bestas que sempre estiveram presentes nas inúmeras lendas e folclore de quase todo o Mundo, porém se tornaram em monstros clássicos graças às suas encarnações históricas em Hollywood. O antagonismo à la Jekyll / Hydeé uma das caracterizações desta figura trágica que obteve a sua primeira aparição em 1935, Werewolf of London, onde Henry Hull encarnou o clássico personagem, mas foi Lon Chaney Jr. que manteve o arquétipo celebre e suficientemente rentável para continuar um legado em The Wolfman (1941). Desde então foram muitos os filmes que se basearam nessa besta lendária, sendo alguns que valorizavam a eterna luta do amaldiçoado e a respectiva maldição, entre os exemplares mais famosos encontram-se o exuberante e visualmente inovador An American Werewolf in London (John Landis, 1981) como uma moderna incursão do dito clássico de 1941. Porém em 2010, surge-nos um inevitável remake. Um remake, que segundo o realizador Joe Johnston, serviria de homenagem ao filme que celebrizou o actor Lon Chaney Jr. e que fez do Homem-Lobo a relevante criatura cinematográfica que é tida nos dias de hoje.

 

 

Este filme de terror de época remete-nos a um Benicio Del Toro (sua escolha derivou-se da semelhanças para com o actor Chaney Jr.) que desempenha um actor acolhido nos EUA, Lawrence Talbot, que regressa à sua terra natal, Inglaterra, após das notícias do misterioso desaparecimento do seu irmão. Seu congénere é encontrado despedaçado na floresta, com marcas indescritíveis que assaltam as memórias dos habitantes da vila com superstições e medos. Decidido a vingar a morte do seu irmão, Talbot enfrenta assim a criatura responsável, saindo ferido do confronto. Após uma recuperação miraculosa, Lawrence Talbot apercebe que contraiu uma sangrenta maldição que surge activa em noites de Lua Cheia, convertendo-o num monstro; meio-homem, meio-lobo.

 

 

Obviamente, eis um exemplar mais sofisticado que os seus antecessores, recorrendo a uma vasta gama de efeitos especiais combinadas com os efeitos práticos da produção, porém sua melhor eficácia encontra-se na bem conseguida atmosfera que consegue captar o clima místico da lenda e a reconstituição de uma Londres victoriana, que está para o Lobisomem como Nova Iorque está para King Kong. O elenco reúne actores como Anthony Hopkins, que após outras encarnações como o psicopata Hannibal Lecter é visto como o mal personificado, o carismático Hugo Weaving, charme inglês que tenta a todo o custo escapar da mascara de Agente Smith de Matrix, o qual é reconhecido, Geraldine Chaplin parece não conseguir outro papel para além de vidente e Emily Blunt sofre de um sindroma bem comum para os lados de Hollywood que é a falta de solidez na descrição das personagens femininas. Quanto ao protagonista, Benicio Del Toro, primeira vez numa grande produção, aguenta firmemente a pedalada para o trágico “torturado”, todavia as comparações com Lon Chaney Jr. não se livrará.

 

 

Os maiores defeitos desta moderna revisão registam-se numa montagem deveras acelerada e nos sustos gastos e repetitivos que qualquer produção hollywoodesca parece ter tomado o gosto, como também um certo receio em cair no gore (o clássico de 1941 era um exemplar sugestivo desse mesmo terror explicito), talvez para possuir um “rating” bem apto para uma abrangente faixa etária. Talvez este seja o encontro mais acessível às novas gerações para com o Lobisomem clássico. Um filme atmosférico, longe do perfeito, que prevalece como uma fita em constante estado de homenagem. Porém sente-se, e não é só no caso de The Wolfman, um facilitismo produtivo em recorrer sem hesitações ao CGI (os animais tecnológicos são uma premonição dessa futura e eventual predominância).

 

“Even a man who is pure in heart and says his prayers by night, may become a wolf when the wolfbane blooms, and the autumn moon is bright.”

 

Real.: Joe Johnston / Int.: Benicio Del Toro, Anthony Hopkins, Emily Blunt, Hugo Weaving, Geraldine Chaplin

 

     

A não perder – para quem não conhece o clássico de 1941

 

O melhor – a atmosfera bem conseguida, o modelo original de Lobisomem

O pior – sendo produtos como estes que aumentam a ignorância dos mais novos face aos clássicos.

 

Recomendações – The Wolfman (1941), An American Werewolf in London (1981), Wolf (1994)

 

Ver também

Wolf (1994)

6/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:52
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3 comentários:
De Gustavo a 14 de Março de 2010 às 20:24
Eu até gostei, tirou um pouco o ridiculo sabor do lobisomem ser um gajo musculado sem camisa, sabes obviamente de que filme estou a falar!


De Cazare ieftina Predeal a 9 de Setembro de 2011 às 15:53
Vi The Wolfman alguns dias atrás, e simplesmente adorei. Senti que o cinema era top-notch, as transformações parecia incrível, eo diálogo foi bem escrito.


De AlvaroPB a 15 de Julho de 2012 às 03:42
Só eu achei o "lobisomem original" a cara do smigol? Isso somando o fato dele viver em cavernas e ser baixinho... Juro que se tivesse saindo um "my precious" ali, não teria segurado a risada!


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