Quando a Natureza é a Igreja de Satã!
Lars von Trier já se auto-proclamou como o melhor realizador do cinema contemporâneo, sendo que é fácil encontrar em Antichrist, a sua ambição de se tornar num autor referencial, um narcisismo artístico. Assim sendo as imagens levadas ao extremo no filme de Von Trier são de difícil esquecimento, invocando o visceral como o de insano.
Antichrist inicia assim com o luto de um casal que acaba de perder o seu filho através de um acidente negligente, porém ele (Willem Dafoe), terapeuta, decide então ajudar a sua mulher (Charlotte Gainsbourg) que sofre de uma fobia anormal adquirida com a memória do filho. A terapia levada a cabo pela personagem de Dafoe consiste em ajudar a sua mulher a combater os seus medos, entre eles o da floresta, que no filme é retratado pelo Éden. Assim sendo ficam instalados numa cabana isolada à espera da recuperação mental de ambos. Contudo existe algo de sinistro que se esconde naquele lugar cheio de natureza, algo que Charlotte Gainsbourg caracteriza de “a igreja do Diabo”, que remete ao casal os seus pesadelos mais obscuros e à loucura sem precedentes.
Por entre o desespero, a dor e o sofrimento, este paranóico exemplar que se encontra entre o limiar do terror e o thriller, é um dos mais peculiares projectos do realizador dinamarquês, que mais uma vez utiliza a sua miopia e experimentalidade para se centrar unicamente no par de actores que consegue sair imaculados e levados ao limite num mise-en-scené implorável de sadismo e violência gratuita. Porém o grande feito de Von Trier foi mesmo a introdução de um clima pesado e psicologicamente eficiente que endereça o espectador a um metaforismo envolvente de um erotismo quase selvagem e um pecaminoso agrupado de imagens que tem de doentio como de genial que não abandonará a memória deste tão facilmente. Quanto ao par de actores, restringidos às suas presenças e desafiados ao limite da interpretação ou da arte performativa, soam como "marionetas" subjugadoras ao servido do realizador.
Antichrist a par do ainda em cartaz, The White Ribbon de Michael Haneke remete o publico à negra natureza humana, enquanto que no exemplar de Lars von Trier tudo encontra-se envolvido por uma aura sobrenatural como natural. Como tal, aludindo à teoria de que os humanos nunca tiveram de todo separados da Natureza e que a nossa face brutal é somente resíduos sobrevivente desse mesmo "cordão". No final existe a dedicatória a Andrei Tarkovsky, um dos cineastas predilectos do autor que se afirma cada vez mais como tal.
"Chaos reign"
Real.: Lars Von Trier / Int.: Willem Dafoe, Charlotte Gainsbourg
A não perder – um filme o qual ninguém ficará indiferente
O melhor – o extremo que Lars von Trier chegou juntamente com o elenco
O pior – se a violência não é problema, o gratificação da mesma por excesso já o é
Recomendações – The Blair Witch Project (1999), The Book of Shadows (2000), The Eden Lake (2008)
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