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15.2.10

Eu te amo, I Love You, J’te Aime” são frases simples, de som ecoante o qual exprime um dos grandes bens da Humanidade, a sua capacidade de amar, o afecto, a paixão que por vezes escalda nossas peles e corações. O cinema é propício dessas histórias em que a maior viajem é de dois seres humanos que se entregam os seus sentimentos como estivessem numa bandeja. Enquanto o cinema de hoje se entrega “quase” por completo pelo par invulgar em New Moon, outros se apaixonam pelos romances de Nicholas Spark e as suas variadas adaptações invulgar história de amor do ano e a estrear em breve o aplaudido 500 Days of Summer de Marc Webb, com todo esse clima de romance, decidi então com a inspiração do Dia de S. Valentim os 14 romances mais belos do cinema. Entrem e apaixonem-se.

 

GONE WITH THE WIND (Victor Fleming, 1939)

O pai dos romances épicos, a história de amor e de ódio entre Scarlet O’Hara (Vivien Leigh) e Rhett Butler (Clark Gable) e o pano de fundo da guerra civil norte-americana, conquistou milhões em todo o mundo (sendo este um dos filmes mais rentáveis de sempre) e inspirou milhares nos arrebatadores romances que se descenderam. Porém, mesmo transcendendo uma química ainda hoje perfeita, os actores Leigh e Gable não se suportavam durante a rodagem. Herdeiros e enteados – São muitos os romances épicos que seguiriam, entre eles destaca-se o galardoado English Patience (Anthony Minghella, 1994), talvez um dos melhores romances dos anos 90 e mais tarde Cold Mountain (também ele de Anthony Minghella) e o pomposo Australia, que segundo o realizador, Baz Luhrmann, o descendente directo de Gone With The Wind.

 

CASABLANCA (Michael Curtiz, 1942)

Ao contrário daquele lema de “viveram felizes para sempre”, a felicidade também requer sacrifício e escolhas difíceis de fazer, quem diz é Rick Baine (Humphrey Bogart) e Ilisa (Ingrid Bergman), dois ex-amantes que se encontram durante um clima de Guerra na cidade marroquina, Casablanca, que continua sendo um estado neutro. O reencontro desperta a paixão escondida entre ambos, todavia Ilisa está noiva de Victor Laszlo (Paul Henreid), um líder da resistência checa que encontra-se na Casablanca por motivos de protecção e auxílio. Baine decide então ajudar Victor e Ilisa, deixando para trás o seu amor ganancioso e pensando apenas na felicidade e vida da sua velha paixão. A cena de despedida dessas almas desencontradas no aeroporto da cidade sob uma chuva cinzenta é das cenas mais memoráveis da sétima arte. Herdeiros e enteados – The Good German de Steven Soderbergh (2006) é talvez o filme que mais se aproxima deste clássico, segundo o autor é a sua homenagem á obra de Michael Curtiz.

 

VERTIGO (Alfred Hitchcock, 1958)

Mesmo sendo um fracasso de bilheteira, foi dos mais insólitos romances que há em memória. James Stewart é o detective John Ferguson, que investiga um misterioso caso a pedido de um velho amigo. Tal compromisso requer seguir a perturbada mulher, Madeleine Ester (Kim Novak), que segundo qual parece adquirir um comportamento suicida. Vertigo foi das melhores obras do autor Alfred Hitchock, o chamado mestre do suspense, que para além de ser um sólido e primoroso thriller que não descansa em termos de surpreender o espectador, é também uma delicadíssima história de amor. Herdeiros e enteados – Hitchcock tentou redimir o fracasso comercial com North by Northwest (1959), o qual capta a mesma essência amorosa sob um ambiente de espionagem.

 

CINEMA PARADISO (Guiseppe Tornatore, 1988)

Um dos romances predilectos de qualquer cinéfilo, que combina a vulgar historia de amor de infância com a paixão do cinema. Este hino á cinéfilia demonstra uma beleza delicada e sensível quer na fotografia, quer no relacionamento da história. O beijo á chuva continua a ser um dos momentos mais belos que o cinema italiano nos ofereceu. Essencial para qualquer apaixonado pela sétima arte. Herdeiros e enteados – Electric Shadows de Jiang Xiao (2004) é o herdeiro directo da linhagem de Cinema Paradiso, contudo poucos são os filmes que captam a mesma essência.

 

THE BEAUTY AND THE BEAST (Gary Trousdale / Kirk Wise, 1991)

A Disney sempre foi fértil em grandes romances, mas indiscutivelmente – The Beauty and the Beast – é talvez dos mais tocantes do longo historial do estúdio. A história entre uma bela mulher aprisionada por um monstro amaldiçoado encantou multidões quer de crianças e graúdos, segundo o filme no amor não está em causa a beleza estética do parceiro, mas sim o seu interior intrínseco. Antes de Up (2009) ser nomeado, The Beauty and the Beast foi até á data a única animação a estar entre os cobiçados á estatueta de Melhor Filme. Herdeiros e enteados – de seguida a Disney produziu inúmeros outros clássicos que sempre a vertente romântica estava presente, o ultimo foi o recentemente estreado “The Princess and the Frog”, o regresso da Disney á animação tradicional. A estúdio Dreamworks respondeu em 2001 a este clássico com Shrek, uma parodia anti-Disney que conseguiu repetir tal reacção no publico que The Beauty and the Beast conseguiu. Muito antes do clássico da animação de 1991, King Kong surgiu em 1933, um filme de acção real com os efeitos práticos de Willis O’Brien, mas no seu tempo as mentalidades ainda eram muito preconceituosas, por isso não existia nada mais que uma simples repugna da bela em relação á besta (neste caso o gorila que a rapta), em 2005 com o auxílio dos efeitos especiais mais sofisticados, Peter Jackson consegue um soberbo retrato entre duas almas proibidas de amar.

 

IL POSTINO (Michael Radford, 1995)

No caso de Il Postino, o clássico filme dirigido por Michael Radford em 1995, o amor não tem que ser algo físico, mas sim um apelo á força das palavras, neste caso os poemas de Pablo Neruda, os quais o carteiro Mario (Massimo Troti) entrega á sua amada Beatrice Russo (Maria Gracia Cucinotta), sem nunca revelar a sua verdadeira fonte. Russo se apaixona pelo poder das palavras carinhosamente dedicadas do seu “admirador secreto” iniciado assim um paixão secreta e cega, já que Mario Ruopollo é demasiado tímido para expressar seus sentimentos. Herdeiros e enteados – sendo muitos os descendentes, a historia mais destacável deste amor via literária é o antecessor Cyrano de Bergerac, o clássico conto escrito para o teatro por Edmond Rostand, adaptado ao cinema em 1900, 1909, 1925, 1945 e 1990, este ultimo com Gerard Depardieu.

 

LEAVING LAS VEGAS (Mike Figgs, 1995)

Nicolas Cage no seu melhor desempenho ao lado de Elisabeth Shue, uma prostituta da cidade do pecado, Las Vegas. E é nessa cidade cínica e luminosa que nasce uma dos melhores romances dos anos 90, que por entre a “podridão” humana pode nascer o amor mais puro. Marco de Hollywood em 1995. Herdeiros e enteados – São muitos os filmes que retratam amores em locais dignos do nome Babilónia, entre eles destaca-se Candy de Neil Armfield (2006), uma das últimas aparições do actor Heath Ledger.

 

TITANIC (James Cameron, 1997)

O famoso naufrágio é palco para uma das derradeiras e emocionantes histórias de amor. Doze anos antes do estrondoso sucesso de Avatar, James Cameron havia posto o Mundo aos seus pés com o amor entre Rose (Kate Winslet) e Jack (Leonardo Di Caprio) no filme-catastrofe Titanic. O que separava entre estes dois seres eram as suas classes sócias, porém para Jack e Rose eram indiferentes. Herdeiros e enteados – Passado quatro anos, Michael Bay tenta repetir o mesmo feito de Titanic com Pearl Harbor (2001) na reconstituição de um romance sob o clima de sobrevivência, mas foi ineficaz. Apenas Joe Wright consegue em 2007 com Atonement, que ambientado na Segunda Guerra Mundial invoca o romance entre classes sócias com James McAvoy e Keira Knightley como o trágico par romântico. Todavia, antes de Titanic e do resto, existia o absoluto musical de Robert Wise, West Side Story, um amor nascido entre a disputa de etnias.

 

NOTTING HILL (Roger Mitchell, 1999)

É considerado uma das melhores comédias românticas britânicas, obviamente quando estreou em 1999 foi bastante sobrevalorizado. Porém nos dias de hoje é um dos mais eficazes exemplos que o amor não conhece barreiras, classes nem a fama. Julia Roberts e Hugh Grant são dois nomes deste sucesso, em que uma actriz, por engano, conhece um homem normal. Herdeiros e enteados – antes e depois de Notting Hill, foram muitas comédias britânicas que tentavam cativar os corações mais frios. Posteriormente do filme de Roger Mitchell, seguiram Bridget Jones’s Diary que beneficiou o mesmo sindroma de sobrevalorização de Notting Hill e Love Actually, a conhecida absoluta comedia romântica britânica. Porém não se esqueçam que antes destes exemplos existiu o sólido Four Weddings and a Funeral de Mike Newell.

 

LOST IN TRANSLATION (Sofia Coppola, 2003)

Sofia Coppola, filha do aclamado realizador Francis Ford Coppola (The Godfather, Apocalypse Now) redefiniu a ideia de romance em pleno ano 2003, reconstruindo um invulgar amor num local tão estranho para ambos. Mas neste filme protagonizado por Bill Murray e na altura a revelação Scarlett Johansson, a verdadeira estranheza não era Toquio, onde ocorria esta melancólica história, mas sim aproximação destes dois seres. Graças a um final místico e tocante, eis o romance da década de 2000 por excelência. Herdeiro e enteados – Por estranho que pareça ainda ninguém ousou copiar ou aspirar o estilo de Coppola, ao invés disso, Bill Murray encontrou a sua perfeita melancolia, que o persegue desde os seus mais recentes projectos.

 

MR AND MRS SMITH (Doug Liman, 2005)

Comédia de acção que reúne um par cuja química é inegável, Brad Pitt e Angelina Jolie, que desempenham dois assassinos contratados que por sinal são casados um com o outro, porém suas identidades são ocultadas um pelo outro. Um bom sucesso de bilheteira que originou um dos casais preferidos de Hollywood. Herdeiros e enteados – Como já havia dito, o filme de Doug Liman foi o responsável pelo casal de Jolie e Pitt, que ainda hoje fazem furor nos tablóides e são amados por muitos.

 

BROKEBACK MOUNTAIN (Ang Lee, 2005)

Longe de preconceitos e tabus, o amor não é um exclusivo “when boy meet a girl”ou vice-versa, como é no caso do Brokeback Mountain, filme delicado de Ang Lee, nomeado aos Óscares de 2005 (vencedor da estatueta de Melhor Realizador), a paixão nasce no companheirismo de dois homens, que sozinhos numa montanha encontram um “fruto” proibido que os levará desde um amor pouco ortodoxo até mesmo á tragédia obsessiva. Muito longe do militante filme de homossexuais, Brokeback Mountain é um dos exemplos em que o amor quebra barreiras e por vezes se torna impossível. Herdeiros e enteados – Nos dias de hoje, Brokeback Mountain continua a ser a história de amor homossexual mais acessível ao grande público. O único exemplar que conseguiu “sair do armário”.

 

WALL-E (Andrew Stanton, 2008)

Será o amor algo exclusivamente humano? Talvez não e a resposta poderá ser encontrada aqui neste tocante exemplo animado. Wall-E é a história do homónimo robot com a missão de limpar a Terra dos desperdícios deixados pelo ser humano, o que não percebe é que ele continua a fazer o seu trabalho mesmo após muitos anos dos humanos terem indo embora. E é então que surge uma pequena andróide, EVE com o intuito de reportar as condições do planeta Terra, e com um simples olhar nasce então o amor á primeira vista. Herdeiros e enteados – O Óscar de Melhor Filme Animado de 2008 já cá canta, a história de WALL-E é das mais emocionantes e bem sucedidas do estúdio da Pixar.

 

TWILIGHT (Catherine Hardwick, 2008)

Stephenie Meyer conseguiu em 2005 reproduzir o conto de Bram Stoker, Dracula, para adolescentes num sucesso literário denominado de Twilight. Nos dias de hoje é a febre da puberdade, um romance entre uma humana e um vampiro, onde a estética é o mais importante, porém reconhece-se alguma essência nesta bem sucedida obra de 2008. Herdeiros e enteados – Além de ter dado a nós aqueles ídolos adolescentes como Robert Pattinson ou Taylor Lautner, conseguiram oferecer um dos frenesins cinematográficos do ano 2009 com a sequela New Moon, uma continuação muito inferior, mas esteticamente superior e empolgante para as hormonas aos saltos. Twilight introduziu um novo subgénero cinematográfico, que envolve romances e o sobrenatural, contudo recomendo vivamente o sueco Let The Right One In de Tomas Alfredson, que não gozou do mesmo sucesso do filme de Catherine Hardwicke, mas que encantou os poucos com a sua sensível história de amor, onde a inocência se confunde com a violência.

 

Ver Também

Atonement (2007)

Australia (2008)

Avatar (2009)

Brokeback Mountain (2005)

Casablanca (1942)

Gone With The Wind (1939)

King Kong (1933)

King Kong (2005)

Let The Right One In (2008)

Lost In Translation (2003)

North By Northwest (1959)

The Good German (2006)

The Twilight Saga – New Moon (2009)

Twilight (2008)

Vertigo (1958)

Wall – E (2008)

 

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publicado por Hugo Gomes às 02:26
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3 comentários:
De Filipe Coutinho a 17 de Fevereiro de 2010 às 22:00
Excelentes escolhas sem dúvida. O meu favorito é mesmo o primeiro que indicas: Gone With the Wind. Gostei especialmente da diversidade das mesmas.

Abraço


De Fernando Borges a 12 de Dezembro de 2011 às 20:14
Ótima lista, exceto (na minha opinião) pelos Twilight, Mr and Mrs Smith e Notting Hill, que considero bastante fracos.
Mas os demais são realmente grandes romances!


De Frederico Daniel a 17 de Setembro de 2016 às 19:02
Finalmente vi o filme A Bela e o Monstro e amei: 5*

Música, romance e drama são os ingredientes deste filme que deverei rever. Um filme com várias mensagens, no fundo é emocionante.

Cumprimentos, Frederico Daniel.


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