A Aldeia dos Malditos!
Michael Haneke um dos mais perturbadores autores da actualidade, o seu “terror”, transcrito em obras como Funny Games ou mesmo Caché, não é visualmente gore, aliás existe uma fuga desse artifício gratuito e comercial, mas sim a carga psicologia que consegue remeter em toda a narrativa.
Em The White Ribbon, o autor apresenta-se como um preceptor do estudo da malvadez humana, parte integre da sua natureza negra, que reflecte nos primórdios do Nazismo, sem nunca recorrer ao óbvio panfletarismo ou esquematismo. The White Ribbon recorre á fotografia preta e branca, segundo alguns críticos é uma homenagem a Andrei Tarkovsky, o qual Haneke considera um elogio, visto se tratar num dos seus cineastas de eleição, mas recusa a comparação, na probabilidade, o preto e branco de baixa resolução é um efeito realista na fita e uma metáfora às extremidades da consciência humana, os maniqueísmos expostos pelo mal e bem, que segundo a fita a cor branca é sinal de inocência e pureza devido a isso são colocados laços da mesma coloração em crianças delinquentes da aldeia representada como forma de punição e lembrete das “verdadeira” essência humana.
O cenário de The White Ribbon é uma aldeia protestante alemão abalada por misteriosos e estranhos incidentes que ninguém quer pronunciar, o jovem professor começa então a questionar o estranho comportamento das crianças que cada vez mais dão motivos de dúvida, serão eles os autores dos crimes? Haneke consegue aqui a sua melhor obra, um pausado filme com um mise-en-scene inegável cujo melhor trunfo é a carga pesada e psicologia sempre carregada com o ar de inquietação.
Aqui o “terror” está presente naquilo que não vemos, desconhecemos e não nas imagens. Devo porém “tirar o meu chapéu” o facto de o realizador de Funny Games ter conseguido algo único no cinema e no estudo humano, estou a referir á sequencia em que se explica a uma criança o significado de morte, algo que não se passa na cabeça de muitos, que por vezes as mentes mais ingénuas e puras tem que ser ensinadas para a confrontação para algo menos divino. The White Ribbon é a insólita obra deste início do ano.
Real.: Michael Haneke
Int.: Ulrich Tukur, Susanne Lothar, Josef Bierbichler
A não perder – a inocência só á flor da pele!
O melhor – a carga psicológica que envolve toda a trama, que por si não é vulgar
O pior – A Zon Lusomundo, essa grande “potência” voltou a ignorar um bom filme.
Recomendações – The Village of the Damned (1995), The Village (2004), Funny Games (1997)
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Ver Outras Fontes
Split Screen – O Laço Branco, por Tiago Ramos
O Sétimo Continente – O Laço Branco
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