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10.2.10

A “brincar” com a imaginação do espectador!

 

O rebelde e “outsiderJim Jarmusch regressa para detrás das câmaras após quatro anos de ausência, o seu ultimo filme, Broken Flowers, protagonizado por Bill Murray, retratava a jornada de um velho mulherengo no destino das suas velhas conquistas, em The Limits of Control segue um misterioso homem (Isaach de Bankolé) nos confins de Espanha que participa em actividades ilícitas. Os Limites do Controlo, sendo esse o título traduzido, é tal como o nome indica, remete o espectador á utilização de dedução e imaginação, o qual o autor desafia o próprio com jogos psicológicos, enigmáticos e uma narrativa experimental que exibe certos traços de surrealismo. E é com a jornada do homem sem nome (Isaach de Bankolé), somos defrontados com um vasto rol de personagens excêntricas e estereotipadas que relatam diálogos repetidos mas característicos conforme a sua área explorativa, ou seja, Luis Tosar se revela um aficionado na música, Tilda Swinton no cinema, Youki Kudoh na Ciência, John Hurt na Arte e Gael Garcia Bernal o reflexo, todas elas representam cinco importantes colunas do nosso quotidiano e todas elas são fundamentais no preenchimento da imaginação do espectador que irá ser necessário na reconstrução mental do final e de toda a trama. Mas este jogo de Jim Jarmusch, mesmo sendo entusiasmante para o intelecto, consegue se tornar monótono intrinsecamente face a tantas repetições, e tal interesse se ganha maioritariamente no momento em que John Hurt surge, num carisma contagiante, de resto só mesmo os planos com a magistral fotografia de Christopher Doyle, que segundo o autor Jim Jarmusch, a sua participação na produção é um sonho concretizado, relembro que Doyle é o director de fotografia predilecto do consagrado realizador oriental Wong Kar-wai. Chegando mesmo a ser demasiado pretensioso para o seu bem, The Limits of Control poderá funcionar como uma alternativa dos filmes mainstreams, e sendo um insólito projecto cinematográfico, a nova obra de Jim Jarmusch triunfa como um inteligente livro de referencias cultas, mas perde pela exibição de “grandeza” que o autor quer fermentar. Incentivo intelectual ou simples radiografia do ego artístico? Você decide.

Real.: Jim Jarmusch

Int.: Isaach de Bankolé, Bill Murray, Luis Tosar, Tilda Swinton, Youki Kudoh, Gael Garcia Bernal, John Hurt

 

Imagens

 

    

 

 

A não perder – Um filme diferente de todo os outros

 

O melhor – John Hurt e a fotografia

O pior – sente-se criatividade, mas demasiado ego artístico

 

Recomendações – Mulholland Drive (2001), Twin Peaks – Fire Walk With Me (1992), Hitman (2007)

5/10

 

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publicado por Hugo Gomes às 20:47
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últ. comentários
Título do post muito criativo.
Legal o tema do post. Parabéns.
Aguardando. Blog bem legal!
Um luxo de actores num filme de lixo, repito LIXO....
Gostei muito da crónica. Vou acompanhar o seu blog...
Takes
10/10 - Magnífico
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