George Clooney nas Nuvens!
A crise económica é algo que perturba tudo e todos, porém uma das causas para esse decrescente social advém á natureza do ser humano, o seu egoísmo e a ambição de evoluir tecnologicamente fazem com que pessoas sejam automaticamente reduzidas a números e prejuízos na ficha de encargo / despesas. E é no centro desse caos calmo que surge um personagem como Ryan Bingham (George Clooney), que tem como profissão viajar pelos quatro cantos do país até às milionárias empresas no intuito de “despender” (termo técnico utilizado para a palavra despedimento) pessoal, melhor dizendo pessoas. Torna-se num vendedor, um orador que traz consigo a marca de um dos dias mais infelizes na vida daqueles empregados, o dia em que se apercebem que todo o esforço, trabalho e suor foi em vão, e que ninguém está acima do substituível. Bingham, sendo esse cúmplice do diabo que ganha a vida a despedir pessoas, ironicamente é despedido da sua própria empresa, quando as altas patentes descobrem que é mais fácil e menos dispendioso “dispensar” via online através de um programa de vídeo-chamada do que ter trabalhadores que viajam para essas mesmas empresas. Porém enquanto o projecto ainda se encontra em via experimental, Bingham embarca numa última viagem de negócios, á pendura está a jovem Natalie Keener (Anna Kendrick), a mais recente “aquisição” da empresa de Bingham, sendo ela talvez responsável por esse encurtamento de pessoal.
George Clooney é cada vez mais um actor despido de “tiques” de vedeta ou estrela, um autor que se mantém sempre presente no cinema norte-americano, e em Up in the Air, ele se retém em forma no papel de um estereótipo plástico, vazio intrinsecamente cujo seu único objectivo seja cumprir o número recorde de milhas da sua companhia aérea. De resto é uma vida oca, sem sentido direccional, nem nada que o agarra ao sedentarismo, convicto a acreditar numa filosofia sua, de que o ser humano necessita de viver apenas com “bagagem vazia” para obter sucesso e gloria na sua vida, Bingham mais cedo ou mais tarde se apercebe que tudo que havia construído até hoje, não tem nexo sem a partilha, porém sua conclusão chega quando conhece a sua “versão feminina” em Alex Goran (Vera Farmiga), outra trabalhadora viajante.
Realizado por Jason Reitman, filho do director Ivan Reitman (Ghostbusters), tem criado ao seu redor um cinema próprio, visões cínicas e irónicas de uma sociedade onde vive, em 2005 satirizou as empresas tabaqueiras em Thank You For Smoking, em 2007 conquista quase meio mundo com a crónica de uma adolescente grávida em Juno, escrito por Diablo Cody, agora em 2009, adapta o livro de Walter Kirn e molda um cenário actual e realista que aborda temas que continuam a ser dores de cabeças às várias nações.
Up in the Air antes de chegar até nos arrecadou inúmeros prémios e nomeações em festivais e eventos distintivos, até mesmo está entre os nomeados ao Óscar de Melhor Filme, que segundo os especialistas com grandes chances, porém antes de mais aconselho-o a verem sem seguir a lista de prémios, porque Up in the Air poderá ser considerado á primeira vista um “simples filme de Domingo á tarde” como já ouvi a ser adjectivado, mas como Clooney afirma em certa altura “Uso estereótipos, porque é mais fácil”, o mais difícil é mesmo penetrar nessa capa de modelo e entrar neste mundo humanista onde cada dialogo é uma trunfo de às. Aliás, depois deste filme penso que ninguém poderá contrariar a minha afirmação, em que Vera Farmiga é mesmo uma actriz de “A” grande.
Real.: Jason Reitman
Int.: George Clooney, Anna Kendricks, Vera Farmiga, J.K. Simmons
A não perder – um dos melhores filmes de 2009
O melhor – o argumento actual, humanista e Vera Farmiga
O pior – se o Óscar de Melhor Filme for mesmo para Avatar de James Cameron.
Recomendações – Thank You For Smoking (2005), Love Happens (2009), Terminal (2004)
Ver Também
Ver Outras Fontes
Cinema is My Life – Up in the Air
Split Screen – Nas Nuvens, por Tiago Ramos
Sites de Cinema
CineCartaz Publico