Com o lançamento dos DVDs de Fama e de Talking to Pelham 1 2 3, que são dois exemplos de remakes estreados no ano passado e que indiscutivelmente não ultrapassaram os originais, decidi então tirar algumas teimas e elaborar um top dos 10 piores remakes. Oportunistas e sem originalidade são os adjectivos mais exactos para todos eles.
#10) Rollerball (2002)
Norman Jewison realiza em 1975 um filme de ficção científica cruzado com a temática de desporto em que James Caan se vê submetido num jogo futurístico que cruza hóquei com os primórdios dos gladiadores de arena. Em 2002, John McTiernan fez uma “borrada” tão irreversível na sua carreira que foi refaze-lo para o novo século, resultado para além de possuirmos a nosso dispor um argumento inconsequente e imaturo, é que o espectador fica a merecer de um elenco sem brilho e os “miolos a serem fritos” quando vemos quedas e mais quedas num jogo sem inspiração.
#09) The Day The Earth Stood Still (2008)
O original de Robert Wise (1951) é um dos marcos da ficção científica cuja sua mensagem ainda hoje perdura e mantém sempre actual, a versão de 2008 por outro lado é um contagiado da síndrome de Al Gore e enche todo o seu contexto com mensagens ecológicas e efeitos especiais sofisticados, que se tornam banais graças a um enredo enfadonho e interpretações melancólicas, apenas Keanu Reeves, conhecido pela sua inexpressividade foi o único que tem um papel á altura na pele do extraterrestre Klaatu.
#08) The Hitcher (2007)
Platinum Dunes, empresa gerida por Michael Bay, faz das suas e pega numa obra de culto como The Hitcher de Robert Harmon (1986) e a torna numa espécie de “petisco” para a geração MTV. Sean Bean substitui Rutger Hauer, o qual se torna numa cópia exacta da personagem de Ryder. Um filme hiperactivo, sem grande noção do conceito original e com todos os ingredientes de um espectáculo mais visto e revisto.
#07) The Planet Of The Apes (2001)
Tim Burton até não costuma ser realizador destas “coisas”, porém errar é humano e obviamente Planet of the Apes é o seu erro numa carreira quase imaculada. Se o improvável, mas inteligente filme de ficção científica de Franklin J. Schaffner (1968) é um dos mais famosos e importantes pilares na história desse famoso género cinematográfico, Tim Burton’s Planet of the Apes é uma pomposa aventura que cai no facilitismo do espectáculo, dá-nos uma história hiperactiva e muita “macacada”. Não é no seu total mau, mas não adianta, nem atrasa, é um daqueles casos que o remake é desnecessário.
#06) The Pink Panther (2006)
Se há coisas que eu não entendo são os remakes, outras são quem as produz. The Pink Panther, a celebre comédia de 1963 com Peter Sellers foi refeito em 2006 por Shawn Levy, cujo Steve Martin veste a pele do Inspector Clouseau. Se na versão dos anos 60, Closeau era uma personagem inteligente, porém ingénuo e com queda para desastres na nova versão ele parece ser o irmão mais intelectual de Mr. Bean, um palhaço infantil e imaturo com gags que roçam a credibilidade e a inverosimilhança. Quanto á sequela de 2009, esqueçam, é melhor não falar.
#05) The Haunting (1999)
Uma das regras importantes num filme de terror é que efeitos especiais são para eles como azeite e agua, simplesmente não se misturam. Jan de Bont, realizador de filmes de acção como Speed e Tomb Raider, decide “pegar” no clássico de 1963 e enche-lo com pirotecnia e uma sugestiva componente técnica áudio-visual, resultando um filme de assombrações que tem de tanto assustador como os programas infantis que passam nas manhãs televisivas. Um horror de filme!
#04) The Wicker Man (2006)
É penoso ver Nicolas Cage a submeter a tão mau gosto, The Wicker Man é baseado no subvalorizado thriller de Robin Hardy em 1973, sobre um agente da policia que investiga o desaparecimento de uma criança numa pequena ilha onde reina uma antiga e pouco ortodoxa religião pagã. The Wicker Man se resume a uma viagem pelo péssimo trabalho dos envolventes, quer na realização e o seu trabalho de câmara, quer mesmo na péssima perfomance do actor Nicolas Cage, a história é encaminhada por curtos momentos de facilitismo e a correria da narrativa leva-nos a um fatigante e pesado final. Felizmente foi mal recebido pelo público em gera de tal forma que a prevista produção de uma sequela foi negada pelo estúdio.
#03) Swept Away (2002)
Agora que o autor Guy Ritchie está a reavivar a sua carreira como realizador graças aos sucessos que obteve com Rockn’Rolla e Sherlock Holmes, porém foi um projecto que facilmente conseguiu fazer com que batesse no fundo da criatividade. Swept Away, sendo esse o título do responsável, é uma variação do náufrago “embrulhado” com muita luxúria e puro voyeurismo erótico onde a sua ex-mulher, a estrela internacional da música pop, Madonna (segundo ela, o marido a creditou no papel de protagonista porque era barata e se encontrava disponível) cai nos braços de Adriano Giannini (a desempenhar o original papel do seu pai, Giancarlo Giannini), ambos sujeitados á areia da praia e ao mar de sonho. Mais próximo de uma edição recente dos Survivors, Swept Away é um desequilibrado drama romântico sem ponta que se pegue, onde os protagonistas dão o seu pior. Remake da comédia romântica italiana Travolti da un Insolito Destino Nell'azzurro Mare d'Agosto (Lina Wertmuller, 1974).
#02) One Missed Call (2008)
Em 2003, o referente realizador nipónico Takashi Miike decide homenagear o crescente J-terror que expande em todo o mundo através do seu filme One Missed Call, que citava as fórmulas de filmes do género como The Grudge de Takashi Shimizu ou The Ring de Hideo Nakata. Mas ao contrário das versões americanas dos dois últimos referidos, a “remodelação” de One Missed Call (Eric Valete) resultou numa trapalhada mal executada. Maus actores, maus CGI, mau argumento, maus sustos, mau realizador, ou seja mau em quase tudo. A evitar!!
#01) The Fog (2005)
Regra geral, um remake não é mais do que a alegoria lei do menor esforço dos grandes estúdios cinematográficos, o facto é que muitas vezes o legado de outros filmes são pretextos para a produção de outros idênticos mas carimbado de forma diferente, em termos económicos é o mesmo que comprar produtos mais baratos e para depois revende-los a outrem com um preço mais luxuoso. Enquanto essa politica que indica ao cinéfilo que os graus de inspiração cinematográfica estão a baixar consideravelmente continua a ser executado até á exaustão, filmes como The Fog de John Carpenter são refeitos sem a menor dignidade. Rupert Wainwright era demasiado amador para se encontrar na sombra do mestre do terror, John Carpenter, mas ninguém queria saber, resultando assim num desastre artístico ao vermos um dos mais incontornáveis filmes do terror dos anos 80 a ser “assassinado” por uma salada de variações e um elenco sem brilho e esforço. Depois disto veio Halloween de Rob Zombie, e mais virão da filmografia de Carpenter á espera de serem readaptados, o qual a espíritualidade do mestre seja ofuscada pelo amadorismo e ganância dos produtores milionários. Quando o cinema deixa de ser arte e passa a ser fast-food …
Ver Também
The Day the Earth Stood Still (2008)
The Taking Pelham 1 2 3 (2009)
The Pink Panther (1963 / 2006)
Para o leitor qual é o pior remake que já assistiu?
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