Federico espiritualmente Fellini!
Quando o paranormal é motivo de expor toda a sua criatividade onírica, Federico Fellini regressa com Giulietta Masina como protagonista, a actriz celebrada pelo próprio autor em filmes como La Strada e Le noitte di Cabiria. Giulietta degli spiriti, sendo este o título desta obra que é marcado por ser a primeira fita a cores do autor revela-se como pura manifestação artística de Fellini que representa a historia de uma mulher bem colocada na alta sociedade, Giulietta Boldrini (Giuletta Masina), que após um jogo de invocação de espíritos, começa a visualizar visões e comunicar com seres irreais que tentam avisa-la sobre a traição que o seu marido, Giorgio Boldrini (Mario Pisu), enquanto isso procura um novo método para sua independência interior e a felicidade que julgava ter encontrado mas que não é nada mais que uma simples ilusão. Masina tem aqui um desempenho fenomenal neste mundo que o próprio realizador italiano criou para ela, sem recorrer ao mainstream do terror norte-americano ou até mesmo do nacional, Fellini transporta o espectador a um viagem alucinante onde através de liberdade artística remete-nos aos seus sonhos molhados ou pesadelos conformados com o silêncio. Para um cinéfilo bem informado poderá tirar conclusões donde o autor David Lynch foi buscar sua inspiração, sendo que o mundo surrealista do consagrado realizador italiano e do autor de Mulholland Drive não é muito diferente. Aviso desde já que não é um filme para todos, a sua narrativa tende em perder-se na filosofia que roça o erotismo e das estranhas motivações das suas personagens. Um filme na sua forma de ser belo e tecnicamente também, o desempenho das actrizes Masina, Sandra Milo e Valentina Cortese são hipnotizantes, sendo um dos filmes mais artísticos, Giulietta degli spiriti está bem entregue aos espíritos. Atrevam-se a entrar!
Real.: Federico Fellini
Int.: Giulietta Masina, Sandra Milo, Mario Pisu, Valentina Cortese
Imagens
A não perder – um dos filmes mais delirantes do autor
O melhor – Giulietta Masina
O pior – chega mesmo a cansar com tanto surrealismo alucinante
Recomendações – Twin Peaks – Fire Walk With Me (1992), Mulholland Drive (2002), Satyricon (1969)
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