Recordações de um mestre!
Em plena Itália fascista, no alto mar encontra-se á deriva um conjunto de barcos, onde cidadãos de uma pequena cidade esperam atenciosamente pela passagem de um enorme navio – The Rex – o orgulho do “império”, assim denominado a meio do filme. Esta é uma das cenas mais memoráveis de Amarcord (1973), aquele que se discute como a obra perfeita de Federico Fellini, um reencontro com as suas memórias de infância onde assistimos a crescente procura da maduração e de uma cidade onde cada personagem parece respirar biologicamente para fora do ecrã durante quatro estações. Sendo que alguns dos “habitantes” desta cidade interajam directamente com o espectador, por exemplo o personagem de Luigi Rossi, o Advogado, que nos fornece algumas informações quer dos “fantasmas” que percorrem suas ruas, quer dos eventos que marcaram não só vilarejo como também Itália. Destaque também para a uma das musas de Fellini, Magali Noël na pele de Gradisca, o amor impossível de Titta (Bruno Zanin), a personagem que todos deduzem ser o pseudónimo da infância do autor, se transmite numa jornada ás descobertas sexuais fazendo do caracter de Noël, a sua musa inalcançável. Assim sendo somos convidados nesta comunidade que é também uma colectânea de recordações, apesar de negada a autobiografia, que Fellini tem o prazer ou a honra de os exibir: desde a suas primeiras descobertas sexuais, sua fria relação com o seu pai, a morte trágica de sua mãe, as trafulhices como jovem e circulo de amigos que sempre o acompanha. Uma vez entrados, difícil é poder sair, deste Amarcord (Eu Recordo, traduzido literalmente), que mesmo após a sua visualização, deixará saudades. Belo, nostálgico, meigo e pessoal, uma obra que só veteranos realizadores com experiencia conseguem oferecer-nos, uma homenagem necessária á Itália que muitos desconhecem e a infância que muitos sabem e escondem, um poema neo-realista como poucos. Galardoado com o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1975.
“When the puffballs come, cold winter's almost gone.”
Real.: Federico Fellini
Int.: Pupella Maggio, Armando Brancia, Magali Noël, Ciccio Ingrassia, Nando Orfei, Luigi Rossi, Bruno Zanin
Imagens
A não perder – por nada deste Mundo
O melhor – a comunidade que Federico Fellini criou a partir de suas memorias
O pior – ter chegado ao fim!
Recomendações – 8 ½ (1963), Brutti Sporchi e Cattivi (1976), Ieri, oggi, domani (1963)
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