A Roma pecaminosa!
Primeiro estranha-se, depois entranha-se. Satyricon é a adaptação do conto homónimo de Petronius Arbiter, que data a época de 37 a 68 antes de Cristo, numa Roma governada por Nero. Foi talvez um dos primeiros livros publicados, nos dias de hoje apenas resta alguns fragmentos que sobreviveram com a passagem do tempo, por exemplo o inicio e o fim estão completamente perdidos. Satyricon é assim a jornada de dois jovens estudantes, amigos, mas ao mesmo tempo rivais devido á disputa de um rapaz escravo-sexual, que iniciam as suas buscas aos prazeres da luxúria de um país reinado pela superstição, pelo misticismo e pela desordem social. Este é provavelmente o filme mais influente de Fellini, porém é o seu menos acessível á grande parte do publico. Foi fitas como estas, Satyricon, que inspiraram David Lynch a construir “pedra-a-pedra” o seu mundo cinematográfico surrealista, e é por entre o barroquismo técnico e intrínseco que nos é apresentado este conto homo-érotico cruzado com a mitologia greco-romana. A construção dos cenários e da fotografia que toda inspira erotismo, fazem desta obra de Fellini, nomeada ao Óscar de Melhor Realizador em 1970, uma invulgar jornada a um mundo onírico o qual o autor viria a ser característico e anexado. O protagonista desta fiel adaptação é Martin Potter (que viria a ser protagonista da série The Legend of Robin Hood em 1975), que transporta o espectador para um desequilibrado Encolpio inicialmente revoltado, corajoso, mas inseguro num mundo onde a palavra: sexo é a ordem do dia. È no meio deste turbilhão de paixões ou sensualidade que Fellini apresenta-nos uma fita que ele próprio afirma, não ter inicio, nem fim, cheio de cliffhangers que tropeçam na sua narrativa, exibindo uma fidelidade aos “restos literários” que o exibem como um melhor realizador e compreensivo do mundo onde vive, porém esta fita dá ares de um autor que adivinha um bloqueio inspirativo. Uma obra tecnicamente superlativa, intrínseca audaz e ousado como muitos dos filmes do realizador italiano, este não se encontra livre de polémicas, mas é também, um trabalho arriscado que pesa num desequilíbrio duma produção que não devolve á obra de Petronius o seu pingo de nexo. A obra falhada de Fellini, um pesadelo colorido, mas admito a influência futura deste Roma antes de Cristo e depois de Fellini.
“Better to hang a dead husband than to lose a living lover.”
Real.: Frederico Fellini
Int.: Martin Potter, Hiram Keller, Max Born, Magali Noël, Capucine, Alain Cuny
Imagens
A não perder – Um filme dividiu as opiniões de todos e que influenciou Lynch
O melhor – os valores técnicos
O pior – o mundo onírico e homo - erótico poderá afastar muitos espectadores
Recomendações – Twin Peaks – Fire Walk With Me (1992), Caligula (1979), Dune (1984)
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