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25.1.10

Culpado ou Inocente?

 

Na história da literatura, os polícias de hoje, que tanto abundam nas prateleiras das livrarias teriam pouca forma senão existisse a grande imaginação de Agatha Christie, que nos ofereceu através do seu trabalho de escrita e do seu talento mental em construir puzzles criminais. Christie foi também uma grande influência na descrição das personagens neste mundo mórbido que tanto fascinam milhares. Entre as suas obras escrita, uma das mais relevantes é Witness for the Prosecution (1948), concebido como uma peça de teatro em que o principal ambiente é uma sala de tribunal, onde ocorre o julgamento de um crime. A morte de uma idosa de posses e de um estranho amigo com todas as provas a indicarem-no como culpado, é todos os ingredientes de um novo “divertimento” do conceituado advogado, Sir Wilfrid Robarts (Charles Laughton), provavelmente reflecte um pouco do ego da autora. Adaptado em 1957, pela mente e talento de Billy Wilder, o mesmo realizador de Some Like It Hot! ou dos subvalorizados Double Indemnity e Kiss Me, Stupid, consegue recriar através do conto de Christie, uma variação bem moderna daquilo que o cinema jurídico irá tornar-se, para isso teve ao seu dispor um conjunto de excelentes actores que sofisticaram os seus próprios desempenhos, de forma a oferecer ao espectador uma hábil combinação de realismo e imaginação hollywoodesca. É por estas e por outras que é agradável, se não um prazer cinéfilo de ver Charles Laughton, vencedor do Óscar de Melhor Actor em The Private Life of Henry VII (Alexander Korda, 1933), a ter o desempenho de sua vida (nomeado ao Óscar por este papel) e criar um misé-en-scéné delicioso e altamente profissional. Todos as interpretações, excepto Tyrone Power na pele de Leonard Vole, estão ao mais alto nível, mesmo Marlene Dietrich parece repetir a sua personagem de Foreign Affair, também ele de Billy Wilder, mas verdade seja dita, ainda nos dias de hoje reside como uma das muheres com “mais garra” que Hollywood alguma vez vira. Quanto a Power, o seu exagero emocional chega a cometer verdadeiros “crimes” na classe interpretativa da Hollywood dourada, equiparando ao velhos desempenhos do cinema mudo que comparativamente com o veterano actor Charles Laughton, é ele a “fuinha” que não quer adaptar aos novos tempos. Já agora, destaque para a divertidíssima Elsa Lanchester, a incontornável Noiva de Frankenstein, desta vez na pele de Miss Plimsoll, a enfermeira encarregue da saúde de Sir Wilfrid Roberts. A imaginação como também o seu vasto conhecimento das “barras dos tribunais” da Rainha do Crime (Christie) e do talentoso Billy Wilder que consegue transpor para o grande ecrã diálogos inteligentíssimos e actuais, como também o esforço trabalho de um competente elenco e da equipa técnica, dá-nos assim ao nosso dispor uma dos filmes passados em tribunais que há memória, um clássico. Quando um crime é um espectáculo!

 

Real.: Billy Wilder

Int.: Charles Laughton, Marlene Dietrich, Tyrone Power, Elsa Lanchester

 

Imagens

 

   

 

A não perder – filme essencial para qualquer amante de filmes de tribunais

 

O melhor – Billy Wilder ter sido um homem mais avançado que o seu próprio tempo

O pior – se não fosse a interpretação desastrosa de Tyrone Power, seria definitivamente uma obra-prima.

 

Recomendações – 12 Angry Men (1957), To Kill a Mockingbird (1962), Fracture (2007)

 

Ver Também

Foreign Affair (1948)

 

Ver Outras Fontes

Cinema is My Life – My dear classics

9/10

 

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publicado por Hugo Gomes às 01:19
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