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17.1.10

Um poema que nunca morre!

 

John Keats foi o último dos poetas romancistas do século XIX, porém o seu talento nato nas palavras nunca fora reconhecido. Condenado a uma vida de fracassos quer financeiros, quer artísticos, Keats encontra nova vida com a sua paixão por Fanny Brawne, contudo a doença e a sua luta pelo sucesso o perseguem até causando a sua prematura morte aos 25 anos. Esta biografia de vertente mais romântica de um dos poetas mais célebres da Historia da literatura inglesa é dirigida por Jane Campion, a mesma autora do comovente The Piano, um sucesso do género romance de 1993 (nomeado ao Óscar de Melhor Filme) com Holly Hunter e Harvey Keitel nos principais papéis. Bright Star é porém um filme mais simplista e menos pretensioso, mas é, como é costume no autor, uma fita bela quer de teor técnico, quer de desenvolvimento do romance, uma proximidade da poesia viva, apenas existente em tela. Campion é uma notável directora de actores e isso verifica-se na “recolha” de fortes desempenhos que consegue extrair do seu elenco; Ben Whishaw (Perfume – A Historia de um Assassino) no seu melhor desempenho, a revelação australiana Abbie Cornish (que vimos em Candy e Sommersault) e o surpreendente Paul Schneider, um nome a decorar num futuro próximo. Jane Campion consegue assim uma cintilante obra que nos marca com ternura, certa ingenuidade que marca um romance de época bem dotado de beleza, provavelmente se perderá entre as inevitáveis comparações com outros romances de poetas que já “atingiram” o cinema, mas é sempre motivo de celebração ver um novo filme da realizadora de Piano, com toda a sensibilidade que os últimos românticos da actualidade têm direito.

PS – Para os mais atentos, a velocidade do crescimento de Thomas Sangster, o pequeno actor britânico que muitas vezes foi considerado o melhor de sua geração, conhecido pelos seus desempenhos em Love Actually e Nanny McPhee, todavia em Bright Star, o seu papel é mais figurativo que qualquer outra coisa.

“Bright star, would I were stedfast as thou art--
Not in lone splendour hung aloft the night
And watching, with eternal lids apart,
Like nature's patient, sleepless Eremite,
The moving waters at their priestlike task
Of pure ablution round earth's human shores,
Or gazing on the new soft-fallen mask
Of snow upon the mountains and the moors--
No--yet still stedfast, still unchangeable,
Pillow'd upon my fair love's ripening breast,
To feel for ever its soft fall and swell,
Awake for ever in a sweet unrest,
Still, still to hear her tender-taken breath,
And so live ever--or else swoon to death.”

 

Real.: Jane Campion

Int.: Ben Whishaw, Abbie Cornish, Paul Schneider, Thomas Sangster

 

Imagens

 

 

 

A não perder – quem se entusiasma com romances não platónicos nem shakespearianos.

 

O melhor – o elenco e a beleza própria da fita

O pior – Thomas Sangster

 

Recomendações – Shakespeare in Love (1998), Séraphine (2008), The Libertine (2004)

8/10

 

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publicado por Hugo Gomes às 10:18
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2 comentários:
De Tiago Ramos a 18 de Janeiro de 2010 às 10:57
Bright Star – Estrela Cintilante ficou na promessa daquilo que poderia ser e não se tornou. É pena porque, no final, ficamos com a sensação que poderíamos ter gostado e sentido muito mais esta história. Dá vontade de rever de novo, à espera de sentir algo de novo. 3/5


De blogdocinefilo a 16 de Junho de 2010 às 23:21
Achei fraco.. Queria muito gostar... mas o argumento... achei super aborrecido..

Abraços e a crítica está muito bem escrita...


Comenta também o meu blog... Criei há uma semana..

http://blogdocinefilo.blogs.sapo.pt/



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