A criança e o monstro … dentro de nós!
A adaptação de uma das obras-primas da literatura norte-americana não foi tarefa fácil, tudo porque Maurice Sendak, autor do livro “O Sitio das Coisas Selvagens” sempre rejeitou os nomes que encontravam-se anexados ao projecto de adaptação do inicio dos anos 90, porém se diz que Sendak encontrou sua “musa” enquanto visualizava Being John Malkovich (1997). A musa tinha um nome, Spike Jonza, um realizador acabado de sair do mundo dos videoclippes, que aceitou na altura a difícil tarefa da conversação de um dos livros mais amados de sempre para a grande tela. Porém devido a dificuldades nas relações do realizador e o estúdio que se encontrava anexado, Universal Pictures, o projecto ficou em stand by até o realizador encontrar nova “casa” no seio da Warner Brothers, o qual realiza em 2002 aquele que seria o seu filme mais aclamado – Adaptation com Nicolas Cage e Meryl Streep nos principais papéis. Só em 2005 é que o projecto se reiniciou após o término do argumento pela parte de Jonza e Dave Eggers, a rodagem só foi iniciada em 2006, numa produção em que Maurice Sendak encontrava-se presente, sugerindo e aprovando os ideais de Jonza, que desafiava a própria matéria-prima em transferi-la com uma veia mais adulta e negra.
Where the Wild Things Are –O Sítio das Coisas Selvagens é a historia de uma criança de nove anos, Max (Max Records), problemática e revoltada que foge de casa após ver sua mãe (Catherine Keener) com o seu novo namorado (Mark Ruffalo). Após uma longa corrida, Max confronta-se com um pequeno barco á deriva no lago, o qual decide viajar sem sabendo que esta o levaria para uma terra distante habitada por enormes monstros. Tais monstros o nomeiam como rei, cabendo a Max a missão de uni-los e livrar-lhes da solidão e tristeza.
Spike Jonza realiza um filme de coragem, uma fita que de certo será catalogada como “filme para crianças”, mas a sua temática é ousada, negra e sem imaturidade, como muitos projectos cinematográficos desta temporada destinado á família. Os efeitos visuais são sofisticadamente realistas, tendo em conta o pormenor da pelagem dos monstros, todos eles anexados com vozes célebres entre os quais James Gandolfini que condiz exactamente com a sua personagem, uma combinação de camaradagem com ferocidade, ainda se destaca para Forest Whitaker, a amorosa Lauren Ambrose, Paul Dano nas vozes das criaturas selvagens. Os aspectos das criaturas até podem ser caricatas, mas os seus temperamentos representam algum dos sentimentos que segundo a visão de Sendak são adquiridas às crianças após a face adulta; solidão, pessimismo, tristeza, revolta e incompreensão, fazendo com que Max é a inocência num mundo onde não o há, ele é de certa forma um subestimado messias, porém é ele que aprende a mais valiosa lição, lição essa que apesar de todos os conflitos uma família deve estar unida nem que seja pelos traços de luta e coragem em desafiar os mais diferentes obstáculos.
A nível técnico a fita é invejável, a fotografia de Lance Acord oferece uma certa melancolia e a banda sonora é vivaça e longe do pop que habitualmente se liga a este tipo de produções. Um emotivo objecto que desperta em nós a criança que reside dentro, por isso famílias, esqueçam os esquilos cantores, os anões digitais de Luc Besson, os vampiros apaixonados e a dupla John Travolta e Robin Williams, Where The Wild Things Are é o filme familiar desta temporada, devido a isso não percam o mais belo do género desde, sei lá … E.T?
Real.: Spike Jonza
Int.: Max Records, James Gandolfini, Forest Whitaker, Mark Ruffalo, Catherine Keener, Paulo Dano, Lauren Ambrose
A não perder – Um filme de crianças para adultos
O melhor – é de facto um notável objecto cinematográfico
O pior – os pais continuam a levar as crianças a ver cinema imaturo que pouco distingue das produções televisivas
Recomendações – E.T – The Extra-Terrestrial (1982), The Chronicles of Narnia – The Lion, The Witch and the Wardobre (2005), The Neverending Story (1984)
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