
O policial sueco!
Stieg Larsson escreveu aqueles que podem bem ser considerados os romances de suspense mais inovadores e cativantes da literatura do novo milénio, tendo escrito a trilogia Millennium - que inicia com Men Who Hate Women, seguido por The Girl Who Play With Fire e terminando com The Girl Who Kicked the Hornet's Nest - que fora muitas vezes comparado com uma Agatha Christie ou Arthur Conan Doyle. Porém Stieg Larsson nunca conheceu o sucesso da sua trilogia literária, tendo falecido nove meses antes do primeiro romance ter sido editado. Porém a notoriedade que os livros ganharam fizeram com que fosse uma “minas de ouro” para eventuais adaptações cinematográficas, e por uma vez na vida, as ditas obras não caíram nas mãos de um grande estúdio de Hollywood.

Suécia, Dinamarca e Alemanha, uniram esforços para transportar todo o suspense e a complexa intriga de Larsson para a grande tela, o primeiro volume – Men Who Hate Women – é marcada pelo "génesis" da dupla Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander (interpretados por Michael Nyqvist e Noomi Rapace), ele é um dos fundadores da revista Millennium, um jornalista de nome que após a publicação de um polémico artigo é levado a tribunal. O qual perde a causa e enfrenta a iminente prisão. E ela é uma hacker de uma infância problemática que trabalha como investigadora ao domicilio. A dupla se encontra envolvida num caso de desaparecimento que há 40 anos. Com o decorrer da investigação, revela-se em algo mais sombrio e chocante.

Men Who Hate Women é um thriller bem escrito e elaboradamente convertido para a grande tela, que nos provoca uma sensação de discriminação ao retratar temas delicados como violência doméstica, violação, mulheres como alvo fácil dos seriais killers e todos outros discernimentos do sexo feminino que o tornam num ser frágil e facilmente prejudicado pelo meio ambiente onde coexistem com o outro sexo, o homem. Como pano de fundo temos uma intriga que nos remete aos melhores trabalhos do ramo do cinema policial e suspense.

Psicologicamente forte e com cenas de tamanha ousadia que pouco o cinema americano foi capaz de transmitir, Millennium 1 é consumido pela grande interpretação de Noomi Rapace, numa bem conseguida na absorção da carismática personagem da mente de Stieg Larsson. Para sê-lo, a actriz teve que sacrificar o seu corpo para a sua bizarra caracterização, desde os piercings às tatuagens, até ao seu musculado corpo, derivado do kickboxing que teve que praticar na pré-produção. Noomi Rapace é a Lisbeth de Stieg Larsson, pormenorizado até ao íntimo retoque. Outra interpretação a conter é a de Sven-Bertil Taube, duma delicadeza de classe na pele de Henrik Vanger. O senão neste ramo é Michael Nyqvist, demasiado insonso e inexpressivo na pele de Blomkvist. Resumidamente este é um dos melhores thrillers do ano, mais um exemplo da nova vaga do cinema sueco, a não perder este e os próximos que prometem um patamar superior.
Real.: Niels Arden Oplev / Int.: Noomi Rapace, Michael Nyqvist, Sven-Bertil Taube

A não perder – corpo e alma, Lisbeth mais Noomi Rapace
O melhor – capaz de destacar a imaginação e a crueza de Stieg Larsson
O pior – o facto de ser cinema sueco afastará muitos espectadores e distribuidoras.
Recomendações – Se7en (1995), Les Rivières Pourpres (2000), The Flock (2007)
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