Data
Título
Take
19.9.09

Real.: Lucrecia Martel

Int.: Maria Onetto, Claudia Cantero, César Bordón

 

 

Discute-se e muito ao longo dos tempos, das pessoas, das classes, o verdadeiro significado de cinema, será ela entretenimento ou será ela arte? Gosto de pensar que a 7ªArte é uma simples janela que nos transporta para outras realidades que por momentos fazem-nos esquecer o mundo, triste ou não, que vivemos. Cinema é emoções, sentimentos, um novo olhar e uma nova forma de viver vida. Mas venho por este meio não abordar o papel do cinema no nosso dia-a-dia nem exprimir a minha opinião acerca disso, venho simplesmente contrariar a opinião de muitos que querem forçar o cinema como veio de cultura e só, como também ignorar os adeptos das pipocas e da sala escura de projecção (local perfeito para os namoriscos), e no meio dessa tese está La Mujer Sin Cabeza, realizada pela ascendente realizadora Lucrecia Martel, que cada vez mais afirma como autora chave do cinema argentino.

Martel se estreou como realizadora através da curta animada de 1988, El 56, contudo o seu projecto mais acentuado foi Rey muerto em 1995, vencedor de um Coral de Melhor Curta no Festival de Cinema em Havana, seguindo por La Ciénaga – O Pântano (2001), o qual venceu a distinção de Melhor Filme segundo os Associação Argentina de Críticos, onde a autora se “lança de cabeça” á homossexualidade e a xenofobia. Depois La Ninã Santa (2004) com o regresso do tema da homossexualidade e a exploração do fervorismo religioso, o qual Martel sacrílega nos seus filmes e agora La Mujer Sin Cabeza, o qual fez furor no Festival de Cannes de 2008, que acima de película é um exercício experimentalista de cinema onde a autora exerce o seu poder de controlo do espectador. Sendo o título traduzido, A Mulher Sem Cabeça, eis um filme feito de pormenores e detalhes, porém a particularidade está na perda de omnipresença do espectador que visualiza planos sufocantes que ofuscam cerca de metade da acção da fita. Lucrecia, por outras palavras, dá a “folha em branco”, cabendo ao público preenche-la com a sua interpretação, poderia resultar se não fosse o facto de a obra de arte (como quer ser chamada) ser incompreensível, á deriva na realidade do quotidiano sem que lado algum chegue (aliás em La Mujer sin Cabeza, o espectador sabe muito menos o que rodeia, que a protagonista do filme).

La Mujer sin Cabeza relata a vivência de uma dentista, Verô (María Onetto), que após um acidente com o seu veículo, o qual atropela um cão, entra numa fase melancólica e inicio de uma depressão, onde a personagem perde o norte da realidade. A partir daí são decisões mal executadas e uma fase de automatismo que aos poucos Verô começa a perceber, enquanto se encontra num estado de dúvida se o dito cão não era uma criança, devido á descoberta de um cadáver no local pouco tempo depois. Tudo isto poderia incutir numa versão Almodovar  de um tratamento mais “severo” das personagens femininas, mas como já havia referido a pseudo-surrealidade faz com que a fita não seja nada mais que um retrato de uso e abuso da arte em tela. A confirmar está o facto de Onetto (já agora, um bom desempenho) seja a única personagem credível, o resto só mesmo figurantes. Vale pela experiencia, pelo modo de filmar e pela narrativa ansiosa, mas o cinema não é feito disto, de pretensiosismo artístico sem nexo, como também não é produzido ao sabor do refrigerante e do saco de pipocas.

A não perder – alguns detalhes interessantes, um modo um pouco diferente de cinema

O melhor – o olhar de Lucrecia Martel

O pior – a sua narrativa, os seus planos e a sua lógica, é de literalmente perder a cabeça.

 

 

6/10

 

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publicado por Hugo Gomes às 00:09
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últ. comentários
Título do post muito criativo.
Legal o tema do post. Parabéns.
Aguardando. Blog bem legal!
Um luxo de actores num filme de lixo, repito LIXO....
Gostei muito da crónica. Vou acompanhar o seu blog...
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