Real.: Tony Scott
Int.: Denzel Washington, John Travolta, John Turturro, James Gandolfini, Luiz Gusman
Se Ridley Scott é um dos incontornáveis nomes de Hollywood pelos seus contributos cinematográficos como Alien e Blade Runner, o seu irmão mais novo, por norma, “joga” numa liga diferente e mesmo não tendo a relevância do seu congénere, tem sim a mesma pontualidade dos seus projectos, sempre presente desde o inicio da sua carreira. Scott (Tony) é um aficionado do cinema de acção e mais pipoqueiro que existe, uma espécie de veterano nas perseguições automobilísticas, dos efeitos e montagens rápidas da câmara, dos heróis e vilões e tudo o que roda os seus “maniqueísmos” e aquele toque de patriotismo que partilha com outros “messias” do cinema comercial como Michael Bay e Rolando Emmerich. Sendo simpático poderei dizer que a acção mais seguidora das regras da gravidade de Scott consegue ser mais vistosa e “espectacular” com a pirotecnia deformada de Bay, mas isso são opiniões. Tony Scott iniciou a sua experiência como realizador em Loving Memory (1969), porém a sua verdadeira estreia comercial deveu-se a The Hunger (1983), o que muitos consideram uma das melhores fitas de vampiros, mas foi com Top Gun, o celebre filme com Tom Cruise, Val Kilmer e uns caças a acompanhar que o director ficou enaltecido na industria hollywoodesca.
Os anos 70 sempre foram propícios de thrillers e policiais de grande tensão psicológica e ditadas com a força da “bala”, os responsáveis foram o surgimento de Bullitt, Dirty Harry e de French Connection, que conquistaram publico, critica e o ultimo conquistou Óscares, numa altura em que a gala continuava a ser relevante no cinema que se fazia nos EUA. Em 1976 estreia o não tão conhecido, mas igualmente realçado The Taking of Pelham One Two Three que nos apresenta uma hábil combinação de heist movie com o clássico policial da septenária década. A fita de Joseph Sargent (The Man) junta o habitualmente cómico Walter Matthau (um dos actores fetiches de Billy Wilder) no papel de Zachary Garber, um policial que tenta impedir o actor Robert Shaw (Jaws) que desempenha um criminoso que toma conta de um metro cheio de passageiros, o qual ameaça matar no caso de não chegar um resgate. Todavia com a febre actual dos remakes, este exemplar não poderia escapar ao sindroma e Tony Scott toma rédeas do projecto.
The Taking of Pelham 1 2 3 é o regresso da dupla Denzel Washington e Scott que volta a trabalhar após três filmes de grande sucesso; Crimson Tide (1995), Man on Fire (2004) e por ultimo Déjà Vu (2006), que contem algumas semelhanças com esta versão mais sofisticada. Washington presta corpo a Walter Garber (a mudança do nome Zachary do original para Walter, deve-se á homenagem ao actor Mathau) que é um operador da central do metropolitano de Nova Iorque que rapidamente se torna no negociador de Ryder (John Travolta), a personagem de Robert Shaw. O filme de 2009 é uma visão mais pós-11 de Setembro em que um “homem comum” consegue fazer coisas extraordinárias como salvar um grupo de reféns ameaçados por criminosos, esta crença á individualidade quotidiana faz com que a historia se torna mais interagira com o grande publico, o qual este filme se dedica, obviamente.
Com uma realização videoclippeira digna de um realizador frenético que não encontra nenhum momento calmo e de pura reflexão tornam a fita tão desequilibrada como a musica inconstante dos créditos iniciais, os actores estão lá (Washington bom como sempre e John Turturro a esquecer a sua caricatura em Transformers, quanto a Travolta, um exagero de interpretação), os momentos de acção também e Scott mais uma vez. Então porquê o bocejo? Porque The Taking of Pelham 1 2 3 não é mais que uma simples revisão dos filmes anteriores de Scott; hiperactivos, frenéticos e nada mais. Para ver e esquecer no mesmo dia e isso não é bom.
A não perder – acção, uma “pitadinha” de suspense e dois actores de nome.
O melhor –Washington
O pior – já não vimos este filme antes?
Recomendações – Déjà Vu (2006), Spy Game (2001), The Inside Man (2006)
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